
Ambos os fabricantes de turbos no Brasil já têm pedidos de clientes: a Honeywell (fabricante dos turbos Garrett) informa que são três montadoras e a BorgWarner diz que três fazem testes e outros dois estão em negociações. Ambos também já expõem na Automec os possíveis produtos que podem ser fabricados no Brasil para atender os novos pedidos. E ambos já reservaram em suas fábricas (a Honeywell em Guarulhos e a BorgWarner na recém-inaugurada planta de Itatiba) espaço para começar a produção, provavelmente para ser iniciada no fim de 2014.
Christian Streck, gerente de negócios OEM (fornecimento direto às montadoras) da Honeywell Turbo Technologies América do Sul, estima que de 20% a 25% dos carros fabricados no País em 2016 deverão ser equipados com turbocompressores. “A meta incentivada no Brasil (que pode assegurar até dois pontos porcentuais de desconto no IPI a partir de 2016) é praticamente igual a da Europa, que prevê emissão média por fabricante de 130 gramas de CO2 por quilômetro. Isso vai fomentar o uso do turbo em larga escala”, calcula.
Streck informa que a Honeywell já reprojetou o turbo NGT 10 para uso no Brasil, que pode trabalhar em motores flex com 100% de etanol. “Conseguimos reduzir o peso em 30% e melhorar o desempenho com inércia 20% menor nos mancais e rotor. O modelo poderá ser usado em modelos de até 150 cavalos, o que emgloba a grande maioria da frota vendida aqui no mercado brasileiro”, diz. Segundo ele, é usada uma carcaça de aço inox para suportar a corrosão causada pelo etanol e as altas temperaturas geradas, de até 980° C. Em um primeiro momento, o investimento projetado para fazer o produto na fábrica de Guarulhos é de US$ 5 milhões a US$ 10 milhões, com nacionalização de componentes em torno de 60%.
Para Arnaldo Iezzi Jr., diretor geral da BorgWarner no Brasil, o desenvolvimento dos novos motores turbinados já está atrasado: “Vamos ter de correr para homologar tudo até 2015 e 2016”, diz. Ele informa que a nova fábrica de Itatiba (SP), onde foram investidos R$ 70 milhões, dentro de seus 20 mil metros quadrados de área construída já tem 1 mil metros quadrados para receber o maquinário que poderá produzir até 500 mil turbos/ano para leves. “Tomamos a decisão de fazer o investimento antes do Inovar-Auto, porque já acreditávamos que a adoção de turbos em veículos leve era uma tendência irreversível. A nova política só mostra o acerto de nossa decisão”, avalia.
A nova fábrica também já tem um centro de desenvolvimento com quatro salas de testes. “Isso nos dá maior agilidade para desenvolver produtos aqui, que antes precisavam ser enviados para validação em nossas unidades na Europa e Estados Unidos”, aponta Iezzi Jr. O grande desafio, segundo ele, é desenvolver fornecedores locais competitivos, pois os turbos nacionais para motores flex precisam ser construídos com materiais especiais, resistentes à maior temperatura e corrosão causada pelo etanol.
“Com as multas pesadas que foram instituídas para quem não cumprir as metas de redução de consumo, além dos incentivos fiscais que estão em jogo, ninguém poderá prescindir de usar o turbo em suas linhas de produtos, até mesmo nos carros menores, justamente por serem os mais vendidos no País”, aposta Iezzi Jr.