O representante do governo avaliou a criação do Inovar-Auto, o que segundo ele foi concebido pensando no consumidor. “O Inovar-Auto não foi criado por uma questão de clima, porque temos o etanol e também não é uma questão que vai parar em 2017. Pensamos primeiro no consumidor com o objetivo de reduzir o consumo do veículo”, defende.
Segundo o executivo, o novo regime automotivo é o primeiro passo para a transformação da indústria nacional no âmbito da competitividade e não cessará os esforços em 2017, quando está previsto o fim vigência do Inovar-Auto. Bedran revela que já existem movimentos no sentido de criar um novo programa de eficiência energética, que contemplará inclusive veículos com motorização a diesel, os comerciais leves (picapes e utilitários) e os pesados (caminhões e ônibus). Como o atual regime, o novo programa será elaborado pelo MDIC por meio do Conselho Automotivo em parceria com outros órgãos e entidades do governo, como o Ibama.
“O plano é criar um programa no longo prazo e atrelar as novas exigências de eficiência energética à homologação do veículo”, revela.
O presidente da Comissão de Assuntos de Energia e Meio Ambiente da Anfavea, Henry Joseph Jr., que participou do mesmo painel que Bedran afirmou que os programas são de interesse da indústria porque afetam positivamente o percurso do avanço das tecnologias.
“Em cinco anos veremos mudanças significativas nos veículos que dirigimos hoje e elas serão pautadas não só pelo regime automotivo, mas por outras iniciativas, como já aconteceu com a introdução de airbags, freios ABS e rastreadores. Claro que isso impactará no preço final para o consumidor, mas a indústria precisa ter o retorno dos investimentos.”
Os debatedores também discutiram sobre as formas de como o Inovar-Auto beneficiará a indústria, como a exigência comprovada do aumento do uso de peças de origem nacional, além de pesquisa e inovação que devem ser estimuladas no País. Sobre a maneira como o governo rastreará o conteúdo nacional, Bedran afirma que já está em fase de conclusão um modelo de medição do conteúdo real de peças por meio de notas fiscais das autopeças, que prevê a adoção de desconto sobre o valor da nota, se for comprovado que o produto tem componentes produzidos aqui.
“A modelagem da medição do conteúdo que utilizaremos foi elaborada por uma consultoria internacional e está praticamente pronta. Seus mecanismos permitirão identificar se há componente importado em um motor, por exemplo. Ainda não vamos tão fundo, quanto saber a origem do minério de ferro, mas ajudará a manter o controle de importação”, disse.
Joseph Jr. também citou outras iniciativas que visam o futuro da indústria, como o programa Ciclo de Vida, que está sendo desenhado por empresas, governo e órgãos competentes desde 2010 e que visa a reciclagem de resíduos e/ou autopeças. Segundo o representante da Anfavea, os estudos que estão em curso elencarão peças e partes passíveis de reciclagem e determinará de forma técnica como se dará o descarte de componentes não recicláveis, dando destino adequado a cada tipo de resíduo.
“Deve demorar ainda para acontecer, mas já estamos no caminho para definir e criar soluções adequadas a esta demanda.”