
Segundo o especialista, enquanto há pouco investimento em pesquisa e desenvolvimento na indústria, as universidades há muito tempo são uma rica fonte de P&D. Assim, com a nova política desenhada para o setor, os futuros engenheiros serão convidados pelos fabricantes de veículos a desenvolver e compartilhar novas tecnologias.
“Muitas empresas me questionam como atender o percentual de investimento em pesquisa e desenvolvimento estipulado pelo Inovar-Auto. E eu respondo que, além de poder investir nos fornecedores de autopeças, elas poderão financiar projetos de universidades ligadas ao setor, a procurar a SAE Brasil para formar parcerias e trocar recursos. Criou-se um ambiente muito favorável com o novo regime para o avanço da engenharia brasileira. É um toque de despertar para a indústria desengavetar todos os seus projetos”, apontou Pieracciani.
Mas como fazer a aliança entre os universitários, dotados de visão teórica, e os fabricantes, que têm o conhecimento empresarial? O professor Oswaldo Massambani, que dirige a agência de inovação Inova Paula Souza, enfatizou durante o mesmo painel que é importante criar convênios e contratos a fim de promover a cultura da inovação e do empreendedorismo no Brasil. “A inovação só existe quando a ideia revoluciona a sociedade ao gerar mais renda e empregos. E é esta a mentabilidade que cabe as empresas transferirem para os futuros engenheiros”, afirmou.
Segundo Massambani, iniciativa adotada muito antes do Inovar-Auto e que tem colaborado para a inovação no setor é o Núcleo de Inovação Tecnológica. “Após o decreto que oficializou a Lei da Inovação, em 2004, foram criados vários núcleos desses por todo o Brasil com a finalidade de gerir a política de inovação. Eles funcionam dentro das melhores universidades do País e têm a missão de fazer o casamento entre o universo acadêmico e o empresarial por meio do desenvolvimento de projetos competitivos e de interesse de ambos. Hoje, já são 204 núcleos espalhados por todas as regiões brasileiras. E a tendência é que eles aumentem com a construção de novas fábricas do setor automotivo.”
O diretor salientou que sem a transferência do conhecimento da universidade para a empresa, a patente não vira negócio. “A dificuldade não está em ter ideias. E é por isso que os Núcleos de Inovação Tecnológica têm de ir além. Ajudam os estudantes a patentearem, mas, sobretudo, a compartilharem com os empresários seus projetos para que sejam introduzidos no mercado. A ideia so vale quando sai do papel.”