
O diretor da AT Kearney diz que o programa sozinho não é suficiente para desenvolver a indústria e que não há política industrial, fiscal, econômica, energética e de formação de mão de obra. “Falta política industrial e o ambiente atual no Brasil não é favorável aos negócios. Hoje o jogo é outro, não é mais para quem produz 2 milhões de veículos ao ano. O Brasil precisa estar preparado para enfrentar a concorrência no patamar de 5 milhões a 6 milhões de veículos”, afirma.
Para o consultor, o setor e o governo não devem perder a meta de tornar as linhas de produção brasileiras capazes de exportar.
Cardamone observa que no Inovar-Auto só há certeza da data para elevação da eficiência energética dos veículos: 2017. “Não fez, pagará multa”, recorda, esclarecendo que essa medida não irá tornar o veículo brasileiro competitivo porque ainda existem as questões relativas ao custo Brasil, como carga tributária, preço de matéria-prima e mão de obra.
Keese critica o regime automotivo porque foi desenvolvido isolando o mercado brasileiro sem inseri-lo no contexto mundial. “Com o Inovar-Auto o governo tratou o Brasil como uma ilha em um mundo global”, pondera. Para Keese, a atual capacidade instalada da indústria é insuficiente para criar uma cadeia de valor que possa fazer o setor viver de modo independente do mercado mundial. Além do mais, destaca o fato de que o mercado doméstico em 2014 está em ritmo mais lento.
O diretor da Roland Berger explica, porém, que uma provável queda no consumo interno de veículos não é motivo para pânico. No entanto, ele adverte que a indústria nacional não é pizza que se pode comer só uma parte. “É preciso utilizá-la plenamente para ser sustentável e uma das saídas é aumentar o nível de exportação.”
Assista às entrevistas exclusivas da Automotive Business durante o V Fórum da Indústria Automobilística aqui .