Um problema urbano que gera muito transtorno e prejuízo para as milhões de pessoas que precisam se locomover todos os dias em São Paulo.
Insistimos no fato de que, se a malha viária não melhora na velocidade da nossa necessidade, nós, motoristas temos uma contribuição fundamental para melhorar esse caos. O que pode ser feito é simples, como respeitar a sinalização, dirigir com cautela, manter o carro abastecido, buscar alternativas de trajeto e horário, entre tantas outras pequenas mudanças que podem fazer toda a diferença. Mas, fazer a manutenção preventiva de seu veículo para que o mesmo não quebre e fique parado nas ruas e avenidas da cidade pode contribuir sensivelmente para reduzir os congestionamentos.
O balanço de 2009 da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego mostra que o número de veículos quebrados vem crescendo, em média, 20% ao ano. Dados de 2009 mostram que 18.777 veículos por mês apresentaram problemas mecânicos (45%), elétricos (17%), pneu furado (6%) e falta de combustível (1%). São 26 veículos quebrados a cada hora nas ruas e avenidas de São Paulo. A maioria dessas panes poderia ser evitada se o motorista fizesse regularmente a revisão de seu veículo, de preferência, em uma oficina de confiança para checar itens de segurança, emissões e ruídos que comprometem o funcionamento do automóvel, a segurança do ocupante e a qualidade do ambiente como um todo.
Hoje o motorista só leva o veículo para fazer manutenção quando ele já apresenta algum defeito e, assim, o transtorno e a despesa são muito maiores. Além de mais segura, a manutenção preventiva é 30% mais barata do que a corretiva.
Estudo inédito realizado no Brasil mostra que 30% dos acidentes de trânsito são provocados por algum problema mecânico do veículo. Se os veículos estivessem em boas condições, seria possível diminuir o número de acidentes e também os congestionamentos. Apenas um veículo quebrado em uma via como a Marginal Tietê pode provocar três quilômetros de engarrafamento em apenas 15 minutos, tempo médio para a CET fazer a remoção.
O motorista precisa ter consciência desse problema e ajudar a melhorar o trânsito, sem falar na questão da segurança do veículo que é algo essencial para preservar vidas.
O Brasil é um dos poucos países com uma frota circulante expressiva – hoje com mais de 28 milhões de unidades – e ainda não implantou a Inspeção Técnica Veicular que avalia mais 300 itens de segurança, ruídos e emissões.
Não é necessário ir muito longe para encontrar exemplos bem sucedidos. Nossa vizinha Costa Rica, com a implantação da Inspeção Técnica Veicular, conseguiu enquadrar a fatalidade dos acidentes de trânsito em níveis europeus, ou seja, 2,8 mortes a cada 10.000 acidentes. Com a melhoria da qualidade da frota, o trânsito ficou muito mais humano. O Brasil ostenta a triste marca de 12,4 mortes a cada 10.000 acidentes.
A discussão sobre esse tema aqui no País é longa. Tem mais dez anos e não conseguiu avançar. Enquanto isso, continuamos nos deparando com veículos quebrados nas ruas e avenidas que atrapalham ainda mais o trânsito já caótico de São Paulo.
Por isso, precisamos contar com a boa vontade do motorista em preservar o veículo em boas condições de uso.
*Antônio Carlos Bento é coordenador do GMA – Grupo de Manutenção Automotiva. O organismo reúne entidades do setor de reposição de autopeças e criou o programa Carro 100% / Caminhão 100% que visa conscientizar o motorista sobre a importância da manutenção preventiva como forma de garantir mais segurança no trânsito.