logo

Inspirado na Apple, CEO da LogiGO inova

Empresa não pensa em ter fábrica própria e utiliza o mesmo modelo de negócio da companhia fundada por Steve Jobs
Author image

Redação AB

28 jul 2021

5 minutos de leitura

Antonio Azevedo, CEO da LogiGO: “Driblamos a pandemia e garantimos nossos suprimentos”

Um jovem empreendedor, sempre ocupado em criar soluções inovadoras para a indústria automobilística. Esse é o perfil de Antonio Azevedo, de 38 anos, fundador e CEO da LogiGO, empresa que desenvolve e fornece centrais multimídia e tecnologia para a indústria automobilística. Com formação técnica em eletrônica, ele chegou a cursar engenharia mecatrônica por três anos, mas abandonou o curso e direcionou os esforços para iniciar a primeira empresa, aos 19 anos. Em contrapartida, frequentou cursos executivos no Insper, Ibmec, FGV e Singularity University, todos focados no desenvolvimento e capacitação como gestor.

Ao longo dos anos Azevedo aprendeu que o crucial é ter um time ótimo e costuma dizer que a equipe precisa ser constituída de águias, e não pardais. Por isso, trabalha com equipes pequenas, mas muito competentes. “Sigo a linha de contratar pessoas experientes e comprometidas que geram resultados, sem ter que contratar um volume grande de colaboradores”.

A LogiGO trabalha para entregar inovação ao segmento automotivo, melhorando a experiência de ter um veículo e guiá-lo. Hoje a empresa atua operacionalmente com duas dezenas de profissionais, programadores, técnicos e engenheiros. Ao todo, a equipe compreende 35 pessoas.

A LogiGO não tem e não planeja ter uma fábrica. “Nosso business model é como o da Apple. Ficamos com a conceituação do produto, desenvolvimento de hardware e software, gestão da qualidade e fornecimento do produto. A LogiGO conta com empresas EMS (Electronic Manufacturing Services) homologadas para a manufatura automotiva e montagem de seus produtos. Nosso headquarter é uma laje própria de 750 m2 no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo”, esclarece Azevedo.

EMPREENDEDORISMO

O empreendedorismo tem estado presente na vida de Azevedo desde criança. Quando tinha 9 anos, a mãe comprava doces em um grande mercado em São Paulo, e Azevedo revendia para amigos. Com 14 anos, passou a comprar minidiscs na internet para revender em um site. Como começou a se interessar pela internet, resolveu fazer um curso técnico de eletrônica e, por meio de um estágio, ingressou na Siemens. Depois do técnico, entrou na faculdade no curso de engenharia mecatrônica. Ainda na faculdade, abriu uma escola de informática e, em paralelo, desenvolvia projetos de Autocad. Por dois anos dedicou-se às duas funções e, por isso, abandonou a faculdade.

“Comecei a perceber que a escola não dava lucro. E, com isso, resolvi fechar o negócio. Aos 21 anos, comecei a comprar notebooks quebrados pela Ebay para arrumar e revender por um preço até três ou quatro vezes maior. Foi assim que nasceu o e-commerce Terra Shop. O e-commerce era focado em produtos de ponta e funcionou bem por quase quatro anos. Então vendi. Logo depois fundei a Mybit, um e-commerce semelhante ao anterior, porém minha sócia era a esposa, que geriu o negócio até o nascimento do nosso primeiro filho”, afirma Azevedo.

Por estar há muitos anos no mercado de tecnologia e por estar muito próximo de produtos e peças automotivas, ele começou a ver com maior atenção esse segmento. Foi aí que viu uma boa abertura e fundou, em 2010, sua terceira empresa, a LogiGO, aos 27 anos, com um investimento próprio de R$ 90 mil. “Vale destacar que sou o primeiro empreendedor da família”, afirma. “Durante a pandemia dei início à Home Deluxe, com foco em experiências únicas na locação de imóveis próprios de luxo na região sul de São Paulo. O que aprendi e venho aprendendo até hoje é que precisamos de pessoas para realizar qualquer plano, que você deve engajá-las, colocá-las no seu barco”.

MERCADO

A LogiGO iniciou suas atividades com o objetivo de trazer tecnologia para dentro dos carros. “Procuramos tornar o uso do veículo mais agradável e intuitivo e um grande motor pra fazer isso acontecer era a central multimídia, e é até hoje. Em um de nossos programas temos produção local – isso varia de acordo com o benefício tributário que temos”.

Ele explica que como desenvolve hardware e software, fica muito mais fácil agregar todas as ideias do time em seus produtos. A LogiGO tem capacidade de desenvolver e fabricar um produto com 5G por exemplo.

A empresa tem como clientes a Nissan, Troller e Ford. Para a Nissan são vendidos serviços de conectividade e para as duas últimas a central multimídia com serviços conectados. O que diferencia esses produtos da concorrência? “Agilidade e qualidade com o valor mais acessível do mercado”, explica Azevedo.

A LogiGO concebeu a assistente digital LIA, que está operacional desde 2018. Segundo Azevedo, ela não foi lançada ainda por causa da burocracia e lentidão das montadoras. “A LIA é um produto fantástico, uma assistente de voz baseada em inteligência artificial que permite, por exemplo, o cadastro de todo o manual do veículo. Além disso, a LIA também consegue responder informações sobre o clima, se você vai encontrar chuva no seu trajeto, realizar comandos do veículo com a abertura dos vidros”, diz.

O faturamento alcançado em 2020 foi de R$ 27 milhões. “Fomos muito impactados pela pandemia, quando nossos clientes tiveram suas fábricas fechadas por 120 dias. Isso nos fez pausar alguns investimentos. Portanto, a previsão de receita que tínhamos antes da situação sanitária global não é aplicável no momento.

O fechamento da fábrica da Ford não afetou os negócios com a LogiGO, já que os suprimentos são feitos a partir da planta no Uruguai. Por enquanto estão suspensas as atividades diretas nos Estados Unidos e México, mas há perspectivas de retomada. O objetivo é fomentar negócios nos dois países. “Chegamos a ter muitas reuniões com OEMs, principalmente em Michigan. Fiquei surpreso com a receptividade que tivemos por lá. Foram muito receptivos e abertos à inovação”, esclarece Azevedo.

Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, a LogiGO garante que nunca teve uma parada de linha motivada por falta de produto. “Nosso dever é garantir a continuidade do supply chain. A falta de semicondutores trouxe muito trabalho para nosso time, mas conseguimos regularizar o suprimento de componentes e produtos”, afirma Azevedo.