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Instabilidade faz Anfavea adiar nova previsão

Mas indica viés positivo para veículos leves e de queda nos pesados
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Redação AB

06 jul 2017

3 minutos de leitura

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Nem mesmo o aumento de 3,7% das vendas de veículos no primeiro semestre – a primeira reação positiva após três anos consecutivos de queda do mercado – animou a Anfavea a apostar em números maiores para o ano. As montadoras comemoram o fato de já ter ultrapassado a casa do 1 milhão de unidades licenciadas na primeira metade do ano, mas veem com cautela a instabilidade que ainda ronda o mercado, ainda reflexo da falta de confiança do consumidor gerada por dois fatores: crédito ainda restrito e crise política.
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Segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale, o nível de aprovação dos financiamentos está em um dos patamares mais baixos já registrados pelo setor, com média de 40%: “Em junho, o nível ainda ficou abaixo da média histórica, que é de 60%, 65%”, informa durante a apresentação do balanço do semestre em encontro com a imprensa realizada na quinta-feira, 6, em São Paulo.

Megale revela que a Anfavea iniciou conversas com os bancos públicos a fim de tentar destravar as concessões ou pelo menos diminuir o nível de restrições para a tomada de crédito. Também faz parte da conversa tentar achar uma forma de acelerar o repasse da redução da taxa de juros (Selic), que segundo o executivo, ainda não chegou na sua totalidade para os consumidores.

Com isto, a Anfavea diz que vai esperar mais um ou dois meses para analisar a necessidade de refazer sua projeção de vendas no mercado interno. Contudo, Megale diz que há claros indícios de viés positivo para o segmento de veículos leves, em detrimento do segmento pesado, que oscila entre a estabilidade e nova queda. Por enquanto, mantém a previsão que foi divulgada no início do ano, que aponta para alta de 4% das vendas totais sobre 2016, para algo em torno de 2,13 milhões de unidades, das quais 2,06 devem ser de automóveis e comerciais leves (alta de 4%) e 65,6 mil caminhões e ônibus (alta de 6,4%).

“Os elementos ainda são frágeis para fazer uma nova previsão de vendas. Queremos um pouco mais de precisão; há de se considerar que o segundo semestre é em geral melhor que o primeiro, então vamos esperar pelo menos mais um mês. O que não queremos é fazer nova projeção e depois tornar a fazer”, reforça Megale.

Ele também deverá considerar outros fatores em sua nova análise, como a expectativa de novo corte da taxa de juros, que deve ser de 0,75 a 1 ponto porcentual, com expectativa de chegar ao fim do ano em 8,5%. “Outro aspecto é que precisamos de estabilidade política no País, embora parece haver um descolamento gradual do setor econômico do político; a economia está rodando e apresentando resultados de forma independente”, afirma. “Com a definição da questão política e das reformas, principalmente a trabalhista que está em curso, devemos ter uma visão mais clara do comportamento do setor para avaliar nossas previsões”, completa.