
A redução das emissões de gases poluentes virou compromisso de muitos países que buscam soluções mais verdes, como é o caso de veículos livres de combustíveis fósseis. E é ai que entra o carro totalmente elétrico e a maior demanda por insumos para as bateria desses modelos.
Um deles é o lítio. Uma projeção da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) indica que a demanda pelo lítio vai aumentar 871,5% até 2050, um crescimento que se deve exclusivamente aos carros elétricos. Ainda segundo a agência, o uso do lítio em outros tipos de baterias e demais fins permanecerá relativamente estável ao longo dos próximos 30 anos.
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O Brasil, que tem grandes reservas de lítio, pode ser um dos protagonistas na exploração do minério, chamado de “ouro branco”. Diante disso, neste ano, o Ministério de Minas e Energia (MME) lançou o Programa Mineração para Energia Limpa, que prevê investimentos da ordem de R$ 15 bilhões na produção do lítio no país. A estimativa é de que os recursos sejam gastos até 2030.
Na esfera estadual, Minas Gerais também tem um programa para atrair investimento na mineração de lítio. Foi criado o Lithium Valley Brazil, uma plataforma que lista todos os benefícios de explorar as áreas no Vale do Jequitinhonha. A região tem as maiores reservas comprovadas de lítio do Brasil, de acordo com a Mineral Resources Research Company.
Minas Gerais na busca por investimentos
Idealizado pela Invest Minas, o projeto envolve a atuação de diversos órgãos do governo estadual e municipal na formulação de políticas públicas para atrair mineradoras para a região. Um dos benefícios é que o lítio do Norte de MG vem do espodumênio, um mineral encontrado em rochas presentes no Vale do Jequitinhonha. Geralmente as empresas que mineram o lítio buscam pelo carbonato de lítio, e para isso o espodumênio é mais eficiente e o processamento é mais barato.
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O espodumênio se concentra em uma estrutura específica de rocha chamada pegmatito, que é comum em ambientes com granito. A extração pode ocorrer em áreas a céu aberto ou em regiões mais profundas da rocha, a depender da disponibilização do material.
Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, para a região já foram confirmados R$ 5 bilhões e a estimativa é de que até 2030 o Vale receba de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões em novos projetos.
Sigma investe no Vale do Jequitinhonha
Uma das empresas que já operam no Vale do Jequitinhonha é a Sigma Lithium. A companhia opera um complexo no município de Itinga dentro de padrões de sustentabilidade socioambiental. Segundo a Sigma, o projeto não utiliza químicos nocivos no processo, não forma barragens de rejeitos (o empilhamento é somente a seco), não usa água potável (a água é reutilizada) e a energia provém de fonte limpa (hídrica, eólica e solar).
Para instalar a unidade em Itinga, a Sigma investiu US$ 70 milhões na construção de uma usina de beneficiamento de concentrado de lítio. Agora, a companhia conseguiu mais R$ 486,7 milhões para a segunda etapa do projeto. Até 2025, a Sigma deverá produzir 520 mil toneladas de concentrado de lítio.
Já Appian aposta na extração de grafite
Além do lítio, outros minerais também estão na ordem do dia para a indústria de baterias. E o grafite é um deles. Diante disso, a Appian Capital Brazil vai investir R$ 350 milhões na mina Boa Sorte, localizada no distrito de União Baiana, município de Itagimirim (BA). Inicialmente, a unidade terá capacidade de produção de 5,5 mil toneladas por ano.
Os aportes serão realizados pela Graphcoa, novo ativo do grupo com gama de projetos minerários de grafite no Sul da Bahia e no Norte de Minas Gerais.
Com isso, a Graphcoa poderá se tornar um dos principais produtores de grafita no Brasil, capaz de fornecer material para a produção de ânodos de grafite, a fim de abastecer a demanda das grandes fabricantes de baterias de veículos elétricos no país e no mundo.
Brasil tem 26% das reservas mundiais de grafite
“Este é um marco significativo para o Grupo Appian. Somado aos atuais ativos de cobre e níquel sulfetado do nosso portfólio, este novo mineral crítico ampliará a atuação do Grupo no setor de metais estratégicos”, disse, por comunicado, Paulo Castellari, CEO da Appian Capital Brazil.
Segundo a companhia, o investimento na Graphcoa e a construção da planta para produção de concentrado de grafite também posicionam o Brasil – que possui aproximadamente 26% das reservas mundiais de grafite – como um ator cada vez mais relevante na transição energética e no desenvolvimento econômico sustentável.
“O grafite esférico, produto final produzido a partir do grafite que será lavrado em nossos projetos, representa 95% dos ânodos de baterias de veículos elétricos e irá abastecer a crescente demanda global por eletrificação”, ressaltou Castellari.
Produção da Appian pode chegar a 25,5 mil toneladas
Pelo projeto, segundo a companhia, no primeiro trimestre de 2025, o concentrado de grafite será submetido para avaliação da qualidade por clientes estratégicos e o potencial definitivo da escala de produção da unidade será identificado antes da construção do empreendimento em seu porte final.
Com isso, estima-se que a Graphcoa poderá ter sua capacidade total de produção ampliada de 5,5 mil toneladas anuais para até 25,5 mil toneladas anuais de grafita, com potencial para aumentar a produção por meio de outros projetos do portfólio. Isso dependerá dos estudos de viabilidades que serão finalizados em 2025 para aprovação do investimento.
“Caso os estudos confirmem a viabilidade da expansão do empreendimento, os investimentos para a extração de grafita podem chegar até a R$ 1,5 bilhão”, informou a Appian.
