
“O mundo sempre mudou, mas nunca com a velocidade que está acontecendo agora”. Foi assim que Gil Giardelli causou uma reflexão nos convidados que estiveram no #AMME24, evento realizado por Automotive Business na última segunda-feira, 24, na Melicidade, sede do Mercado Livre em Osasco (SP), onde o tema inteligência artificial (IA) foi bastante debatido.
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O professor e cientista abriu a agenda do dia com uma apresentação lotada de exemplos de tendências que devem dominar o mundo nos próximos anos.
Entre as inovações, Gil detalhou o uso de robôs para a realização de certas tarefas, seja no apoio à atuação de um profissional ou até na substituição de pessoas em trabalhos nos quais o excesso de qualificação da sociedade dificulta a busca por candidatos.
Inteligência artificial: herói ou vilã?

A inteligência artificial foi um assunto citado em alguns painéis do #AMME24 e despertou bastante interesse entre os participantes. Giardelli acredita que esse tema ainda gera bastante desconfiança e até desconhecimento em diversos setores da sociedade.
“Estamos em uma linha bastante tênue porque pode-se estar infringindo o direito de uma pessoa ou não (no uso da IA). A discussão ainda vai ser bastante pesada, especialmente na Europa, onde existe uma lei de proteção de dados ainda mais rígida. Mas sabemos que, se as pessoas confiarem e começaram a usar, é um caminho sem volta”, afirmou André Lima, gerente de marketing da Renault.
Tecnologia pode corrigir erros e otimizar processos

Se a IA é criticada por alguns, há quem defenda o uso da tecnologia, como as agências de publicidade. Prova disso é o êxito da campanha dos 70 anos da Volkswagen, que aproveitou o recurso para recriar a figura de Elis Regina ao lado de sua filha, a também cantora Maria Rita.
A campanha foi premiada no Festival de Publicidade de Cannes, o maior e mais importante prêmio do setor do mundo. Giácomo Groff, vice-presidente de estratégia da agência Africa, disse que, em vez de especificar quais ideias usam IA, hoje a regra é ressaltar quais não a utilizam.
“Além de tornar o processo mais ágil, a inteligência artificial representa o poder de traduzir o conceito da melhor forma possivel”, afirma.
Para os publicitários, a IA também permite realizar “correções de trajetória” nas campanhas de forma bastante ágil.
“Antigamente você saía com uma campanha na rua e até ver se ela estava funcionando ou não já poderia ser tarde. Hoje é possível fazer um ajuste fino quase que do dia para a noite”, opina Giácomo.
Do contato inicial ao negócio fechado

André, da Renault, lembra que a inteligência artificial também é bem-vinda na indústria automotiva, sobretudo em fábricas conectadas e que seguem os conceitos de Indústria 4.0. “A inteligência artificial vem para simplificar processos que hoje envolvem muitas pessoas na fábrica”, diz.
Outra forma de aproveitar a tecnologia está no relacionamento com o cliente, inclusive antes mesmo da compra do veículo. O atendimento online aproveita as virtudes da IA para identificar o perfil do consumidor.
“Antes a gente tinha um time com duas pessoas que analisavam o que cada pessoa escreveu e o que fazer. Hoje o ChatGPT já consegue entender se aquele perfil vai ser um bom cliente ou não”, diz André.
A partir do contato inicial, o cliente potencial pode conhecer o produto e até fechar negócio sem sair de casa e sem ter contato com ninguém. No entanto, ainda há uma parcela importante dos consumidores tradicionais.
“Há quem realize todos os processos de forma virtual e quem prefira conhecer o produto pessoalmente. A inteligência artificial pode mensurar, mas não consegue definir 100% (como o cliente prefere comprar carro)”.
Parcimônia no uso da inteligência artificial é fundamental

Apesar das evidentes vantagens para as empresas, Giácomo fez um importante alerta. Ele acredita que é preciso ter bom senso ao explorar a ferramenta.
“A gente corre o risco de o uso da IA ficar na mão das empresas que mais investem em tecnologia no mundo. Mas ética e privacidade são questões muito grandes. Acho difícil que exista alguma regulamentação por parte do governo e ainda será uma discussão árdua e longa”.
