
“Para fazer investimento, tem que ter rentabilidade, e está muito difícil ganhar dinheiro com as montadoras, que são nossos principais clientes”, disse o dirigente à Folha de S. Paulo.
Butori afirmou também ao jornal que no quadro atual os fornecedores de autopeças se sentem coagidos pelas montadoras a reduzir os preços para não ver um esvaziamento em suas carteiras de pedidos.
“Em vez do clima de euforia por conta do aumento da produção de carros, estamos vivendo um clima de preocupação. A nossa margem caiu cerca de 30% neste ano”, afirma o presidente do Sindipeças.
Butori reclama, ainda, da redução de 40% da Tarifa Externa Comum do Mercosul para autopeças. A iniciativa facilita a entrada de produtos de fora do bloco, diminuindo a competitividade especialmente das pequenas e médias empresas fabricantes de autopeças.
É provável que o Sindipeças esteja reivindicando a volta da tarifa externa comum plena em defesa das empresas de menor porte. Montadoras e sistemistas, em princípio, não têm interesse direto nessa iniciativa da entidade. Para eles é vantajosos ter uma porta aberta à importação com alíquotas reduzidas, para complementar o suprimento de componentes de suas matrizes ou de outras subsidiárias.
Vale lembrar que sobra produção no mercado internacional e as próprias matrizes de empresas locais se tornaram concorrentes importantes na hora de disputar fornecimentos.
Apesar do aparente oceano azul na indústria automobilística nacional, é possível prever fusões e desacertos na cadeia de suprimentos a partir de agora, especialmente na parte mais baixa da cadeia de fornecedores, diante do crescimento das importações.
Imagem: Sindipeças/divulgação
Fontes: Folha de S. Paulo e Automotive Business.