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IPI maior afeta Mercedes-Benz

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pedro

20 set 2011

5 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB
De Campinas

Apesar de ser uma associada da Anfavea, a Mercedes-Benz também foi atingida negativamente pela majoração do IPI em 30 pontos para veículos importados de fora do Mercosul e do México. A empresa conseguiu nacionalizar 200 caminhões pesados Actros que importa da Alemanha antes da medida, mas existem mais 500 unidades já encomendadas (em produção, no porto ou navegando para o Brasil) que chegarão aqui custando R$ 100 mil a mais por conta do imposto maior, passando de R$ 340 mil para até R$ 440 mil, informou Joachim Mayer, vice-presidente de vendas da companhia (foto). “Todo o planejamento que fizemos em agosto terá de ser jogado no lixo agora”, resumiu o executivo.

O problema vai persistir pelo menos até janeiro, quando a Mercedes-Benz começa a produzir o Actros em regime CKD na sua fábrica de Juiz de Fora (MG). O modelo começa a ser fabricado com 25% a 30% de nacionalização, chegando a 60% em 2014. Embora o porcentual seja menor do que os 65% exigidos pelo governo para gozar do desconto de 30 pontos do IPI, Mayer diz que a empresa não terá dificuldades quanto a isso, porque o benefício é concedido levando-se em conta o índice médio do fabricante e a Mercedes-Benz tem porcentual de conteúdo regional maior que 70%.

Problema maior, quase impossível de administrar, admite Mayer, será ter de renegociar preços tão maiores com clientes que já encomendaram o Actros importado. Por isso o executivo garante que pretende negociar com o governo algum tipo de extensão de prazo para a aplicação do IPI maior, perdoando-se as encomendas que já tinham sido feitas antes. Caso contrário, essas vendas estarão perdidas ou prejuízos terão de ser embolsados pela própria companhia.

Mayer diz que a Mercedes terá condições de suprir esses clientes a partir de janeiro com o Actros produzido em Juiz de Fora. “Mas aí o problema é saber se os clientes podem ou querem esperar mais quatro meses, além de pagar mais pelo modelo Euro 5, já que os importados da Alemanha vinham como motor Euro 3”, pondera. Apesar do revés, Mayer ainda mantém a previsão de fechar 2011 com 3 mil Actros comercializados no Brasil.

Expansão de vendas de carros no “congelador”

O IPI maior também atinge em cheio as importações de automóveis da marca, que estavam indo muito bem, com projeção de 10 mil unidades vendidas este ano (contra apenas 3 mil dois anos atrás). “Esperávamos por mais crescimento, chegar a 20 mil em 2015 e mais de 50 mil no fim da década, com possibilidade de voltar a fazer carros aqui. Estávamos incentivando nossos concessionários a investir e expandir a rede (hoje são 50 pontos). Agora tudo mudou e esses planos vão para o congelador”, diz Mayer, prevendo que as vendas de carros da marca deverão recuar em mais de 30% no ano que vem.

Mayer calcula que as vendas dos modelos mais baratos serão as mais afetadas. O carro chefe da linha de automóveis Mercedes-Benz no Brasil é o Classe C 190, que era vendido até agora por R$ 117 mil e passará para cerca de R4 150 mil. “Com esse aumento muitos clientes poderão pensar em comprar um carro nacional ou importado do México”, admite o executivo.

O recuo coloca de lado qualquer possiblidade de retomar a produção de automóveis no Brasil, como chegou a ser aventado recentemente pelo CEO do Grupo Daimler, Dieter Zetsche. “Não existia nenhum plano concreto para isso, mas claro que uma empresa sempre avalia essa possibilidade em um mercado grande como o Brasil. Tenho certeza que um dia poderemos voltar a fazer carros aqui”, revelou Mayer.

Desconforto

Ao comentar o aumento do IPI, ficou evidente o desconforto do presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Jürgen Ziegler. Perguntado por Automotive Business se estava se sentido traído pela Anfavea, a associação de fabricantes que defende a medida e da qual a empresa que representa é um dos mais antigos membros, Ziegler ficou em silêncio por quase um minuto, para polidamente responder: “Preferia outro caminho, medidas de longo prazo com indução à produção e desenvolvimento local por meio de metas e incentivos. Temos de adicionar valor aos nossos produtos. Creio que a Anfavea não fez a melhor negociação de longo prazo para o desenvolvimento da indústria”, disse.

Ziegler admitiu que esperava por medidas diferentes no âmbito da nova política industrial desenhada no Plano Brasil Maior. O principal temor agora é que a restrição imposta pelo IPI funcione ao contrário do que diz o governo e acabe prejudicando ainda mais a competitividade da indústria, com fechamento do mercado. “A taxação maior não resolve os gargalos de competitividade do País e pode funcionar ao contrário, afastando investimentos ao invés de atraí-los”, avalia. “Nosso posicionamento é pela produção e desenvolvimento local e vamos continuar a fazer isso, mas agora essas medidas, sem nenhum prazo de transição, nos obrigam a redesenhar todo o nosso planejamento”, lamentou.