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IPI reduzido até dezembro para garantir a produção?

As exportações de veículos brasileiros, montados ou em regime CDK, estão muito abaixo das registradas ano passado. No primeiro quadrimestre de 2009 foram exportadas 123.101 mil unidades, 50,3% menos do que no mesmo período de 2008 (247.701 unidades). As vendas externas somam este ano 116.121 veículos leves (-49,7%), 4.069 caminhões (-65,8%) e 2.911 ônibus (-40,9%).
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13 mai 2009

3 minutos de leitura

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Os parceiros tradicionais do Brasil deixaram de comprar nossos veículos porque o mercado interno deles despencou: 35% na Argentina, 25,9% no México, 18,8% na União Européia e 38,3% na região Andina.

Nossas vendas para essas regiões caíram em diferentes percentuais, entre 41,4% (México) e 73,7% (Chile), passando pelos 54,8% do México.

Os dados são da Anfavea.

A queda nas exportações afeta diretamente o volume de produção de veículos da indústria automobilística brasileira, com repercussão na atividade da cadeia de suprimentos. Esta última já se ressente da queda nas vendas internacionais diretas de autopeças. O déficit na balança comercial de autopeças atingiu US$ 2,5 bilhões no ano passado – e segue trajetória semelhante este ano.

Além de ser afetada pela queda nas exportações, a produção nacional perde espaço também à medida que avançam as importações de veículos, que se estendem a carros de luxo e SUVs.

Embora a Anfavea estime uma exportação de 500 mil veículos este ano, o mais provável é que as vendas externas fiquem ao redor de 400 mil unidades – número pouco acima das importações. Assim, o volume de produção local estará próximo ao dos emplacamentos.

Estímulo à produção
Como estimular nossas fábricas a produzir mais? A solução está no incentivo às vendas no mercado doméstico, especialmente dos veículos produzidos no país.

Os incentivos podem, por exemplo, ser dirigidos para veículos flex ou com motores de 1000 cc, que caracterizam a maioria das emplacamentos. Como regra, os veículos de luxo e os SUVs importados não adotam a tecnologia flex.

Embora profissionais como Sérgio Reze, presidente da Fenabrave, e Letícia Costa, vice-presidente da Booz & Company, afirmem que a redução do IPI já fez o efeito mais importante e provocou a antecipação de compras, os dirigentes da indústria automobilística estão empenhados, nos bastidores, em garantir um IPI reduzido mais duradouro.

Cledorvino Belini, presidente do Grupo Fiat, acha importante que o estímulo do IPI permaneça até o final do ano para que as projeções da Anfavea se confirmem, com a produção de 2,86 milhões de veículos. Já Marcos de Oliveira, presidente da Ford, espera que a redução do IPI não termine abruptamente em 30 de junho próximo, como está previsto, mas de forma gradual.

A Anfavea já demonstrou que os cofres públicos ganham com o efeito da redução do IPI. Acontece que o estudo leva em conta ganhos como o recolhimento do ICMS, que tem como destino os cofres estaduais.

O governo federal perdeu o equivalente a R$ 678 milhões no recolhimento do IPI veicular de 20 de dezembro a 31 de março. Mas o recolhimento do ICMS no período teve um ganho adicional de RS$ 678 milhões. O IPVA ganhou R$ 113 milhões, o PIS-Cofins, R$ 662 milhões. Resultado: o Brasil arrecadou mais R$ 701 milhões, segundo as contas da Anfavea, graças ao crescimento das vendas.

Isso explica porque as negociações ficam complicadas.

“Se o IPI reduzido é bom para todos, deve ser mantido” – diz Belini.