
A Porsche realiza a abertura de seu capital nesta quarta-feira, 28, na Bolsa de Valores de Frankfurt, na Alemanha. A oferta pública de ações (tradução para a sigla “IPO”) deve atrair um grande número de investidores, mas especialistas não acreditam em um acontecimento histórico, como previam alguns analistas.
Diante da crise econômica que persiste desde o começo da pandemia, e que se agravou com a guerra da Rússia, o mercado europeu enfrenta seu pior ano desde 2009. Além disso, a volatilidade do mercado diante da crise energética na Europa e as previsões pessimistas para a economia do continente também esfriam os ânimos dos investidores.
Para VW, Porsche tem apelo forte para IPO
Mesmo assim, o Grupo Volkswagen, dono da marca, decidiu seguir adiante com o IPO da Porsche, apostando no apelo da marca de esportivos.
“Uma transição isolada não é capaz de reabrir os portões das ações de IPO. Seria preciso um cenário macro mais previsível e um mercado de ações com menor volatilidade”, afirmou Antoine de Guillenchmidt, sócio-diretor da EMEA Equity Capital Markets no banco Goldman Sachs, em entrevista à agência de notícias Reuters.
Cenário não é positivo
Até agora, segundo dados da Refinitiv – empresa de dados e infraestrutura do mercado financeiro -, as companhias europeias arrecadaram US$ 44 bilhões no ano. Deste montante, apenas US$ 4,5 bilhões vieram de ofertas públicas de ações. Esta é a menor quantidade registrada desde a crise financeira global de 2008.
No último trimestre, os negócios relacionados a mercados de capitais despencaram 82% na Europa, passando de US$ 46 bilhões para US$ 8 bilhões no mesmo período de 2021. A mesma tendência foi observada globalmente, cenário no qual as transações caíram de US$ 262 bilhões para US$ 108 bilhões.
A expectativa é que o aguardado IPO da Porsche possa render até 9,4 bilhões de euros à Volkswagen.
