
“Uma luz acendeu quando analisamos um famoso comentário do presidente da época, afirmando que o Brasil fabricava carroças. Começamos então a debater sobre o que fazer para mudar essa imagem”, disse Ingo Pelikan, presidente do IQA, durante apresentação comemorativa realizada à imprensa na quinta-feira, 2, na sede da entidade, em São Paulo.
Concebido da interação entre as Câmaras Setoriais e o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, com a atuação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o IQA recebeu sinal verde para sua missão da então ministra da Indústria e Comércio, Dorothéa Werneck.
Nesse contexto, expandiu suas atividades em meio às mudanças significativas provocadas pela abertura às importações, marcadas pelo esforço para adequar os veículos nacionais a novos patamares de competitividade. Passadas duas décadas, o órgão assiste à consolidação de seu propósito de contribuir para o avanço dos padrões de qualidade da indústria automobilística nacional e dos componentes e veículos produzidos no País.
“A formação do IQA foi consequência do desenvolvimento natural de várias ações com o objetivo de aprimorar a qualidade e produtividade da cadeia automotiva nacional”, define Márcio Migues, ex-presidente da diretoria executiva do IQA, que acompanhou de perto a evolução do instituto. Ele lembra que outras entidades aderiram posteriormente ao processo de disseminar e uniformizar normas e padrões automotivos. Migues entende que ainda há desafios a serem vencidos, mas garante que atualmente os padrões de qualidade na indústria automobilística local se equiparam aos existentes nos Estados Unidos e nos melhores mercados da Europa e Ásia.
Apoiada no Código de Defesa do Consumidor, nos avanços das normas e dos processos de certificação, a atuação do IQA ganhou relevância crescente também no processo de disciplinar o mercado de consumo, estimulando mecanismos para avaliação da manufatura e desempenho de veículos e componentes e conter a pirataria no aftermarket. Segundo Mário Guitti, superintende do instituto, em 20 anos o IQA ajudou a disseminar a importância da qualidade não só dos produtos, mas também de serviços relacionados ao setor, como concessionárias, oficinas e estabelecimentos independentes de reparação, entre outros nichos da cadeia de venda e pós-venda.
“Garantir a qualidade é extremamente positiva para a indústria, mas sem dúvida, o maior beneficiado é o consumidor”, comenta Guitti.
Atualmente, o IQA oferece os serviços de certificação de produtos automotivos, certificação de sistemas de gestão, homologação de produtos, certificação de serviços automotivos, treinamento e cursos, publicações especializadas e serviços de laboratório.
ENTIDADE COM VOCAÇÃO AUTOMOTIVA
Organismo de certificação sem fins lucrativos, especializado no setor automotivo, o IQA é representante de organismos internacionais e acreditado pela Coordenação Geral de Acreditação (CGCRE) do Inmetro. Dirigido por executivos do primeiro escalão da indústria automobilística, representantes do governo e associações de classe, como Anfavea, Sindipeças e Sindirepa, atua em certificação de produtos, serviços automotivos, sistemas de gestão, ensaios laboratoriais, publicações e treinamento. Dessas atividades que nascem suas receitas.
O órgão é referência internacional quando o assunto é certificação de produtos automotivos. A presença no exterior, na Europa e em países como China, Tailândia, Taiwan, Índia, Coreia do Sul, África do Sul, Estados Unidos, México, Indonésia e Japão, é garantida por meio de parcerias com laboratórios e organismos de certificação internacionais, qualificados para atender normas e exigências do Inmetro. Com essas interações, cria-se uma rede de laboratórios e auditores qualificados, prontos para atender o cliente brasileiro de forma personalizada nas certificações e com custo-benefício atrativo.
As parcerias no trabalho de certificação incluem organismos como a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio do Comitê Brasileiro Automotivo (ABNT/CB-05); do CGCRE do Inmetro; do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro); da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC; do Cesvi Brasil – Centro de Experimentação e Segurança Viária; do norte-americano Automotive Industry Action Group (Aiag); da italiana Associazione Nazionale Fra Industrie Automobilistiche (Anfia); do Insvor (unidade corporativa do Grupo Fiat); da europeia Organisation for Data Exchange by Tele-Transmission in Europe (Odette); do alemão TÜV SÜD Managemente Service; do francês Union Technique de L’Automobile, Du Motorcycle Et Du Cycle (UTAC); e das alemãs Verband Automobilindustrie e Qualitäts Management Center (VDA-QMC); da espanhola Idiada e da VCA, da Grã-Bretanha.
O instituto mantém ainda extenso programa de treinamento e cursos dedicados para a área automotiva e foi escolhido pelo International Automotive Task Force (IATF), Aiag e VDA/QMC para traduzir, editar e vender seus manuais. A biblioteca inclui também ISO/TS 16949, Seis Sigma e Kaizen.
Em setembro de 2014, inaugurou no Parque Tecnológico de Sorocaba seu primeiro laboratório dedicado à realização de ensaios químicos na área de Arla 32, líquidos de freio, aditivos de radiador e outros produtos. Estão em fase de desenvolvimento também os laboratórios metalúrgicos (para metalografia e ensaios de resistência mecânica e dureza) e de ensaios mecânicos e uma pista de provas veiculares.
“Está previsto também a disponibilização deste laboratório para o uso das montadoras e universidades para as áreas de pesquisa e desenvolvimento, uma vez que o País é bastante carente de ferramentas como esta”, complementa Guitti.