
A capacidade pode chegar a 200 unidades ao ano. As instalações ficam em uma área de 30 mil metros quadrados, sendo 18 mil m² de área construída. “A empresa gera 350 empregos diretos e mais de 1,4 mil indiretos”, afirma o presidente da Fiat Industrial Latin America, Marco Mazzu. O programa de treinamento passou pela unidade italiana em Vittorio Veneto, na Itália.
A nova fábrica é a quinta unidade da Iveco especializada em produtos de defesa no mundo. Segundo o diretor de veículos especiais da Fiat Industrial Latin America, Paolo Del Noce, ela poderá receber parte dos R$ 15 bilhões anunciados pelo Grupo Fiat para o Brasil nos próximos anos. “Tudo dependerá das futuras encomendas”, garante Del Noce. Segundo a fabricante, Chile e Colômbia e Argentina demonstraram interesse pelo Guarani. Esta última estaria próxima de fechar um contrato para 14 unidades.
Em princípio, a fábrica fornecerá para a América do Sul. “Mas esta é a única unidade que produz o Guarani e nada impede que ele seja vendido a outros países, diz Del Noce. “A fábrica foi projetada para receber ampliações. A primeira pode ocorrer em três ou quatro anos para produção de um blindado 8×8”, afirma o executivo.
Segundo ele, a empresa também pode receber adaptações para a montagem do modelo LMV, um blindado multifuncional, que já teve 4 mil unidades produzidas no exterior. O veículo é adotado por países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e agradou ao Exército Brasileiro. Del Noce acredita que a unidade de veículos de defesa poderá responder por 15% do faturamento da Iveco no Brasil.
O DESENVOLVIMENTO DO GUARANI
O projeto do Guarani começou em 2007. A partir daquele ano foram desenvolvidos protótipos de pré-série. A fábrica de veículos de defesa foi erguida em 2012 e entregou 12 das 86 unidades encomendadas pelo Exército Brasileiro. A Iveco tem até o primeiro trimestre de 2014 para a conclusão do lote.

Em sentido horário: linha em Sete Lagoas poderá montar até 200 veículos militares por ano; o presidente da Fiat Industrial, Marco Mazzu, e o diretor de veículos especiais, Paolo Del Noce, inauguraram a unidade (fotos: Mário Curcio)
Segundo a fabricante, o índice de nacionalização do veículo é de 60%. O aço balístico empregado em sua construção vem de fora. A transmissão e os cubos de roda são outros itens importados. O Guarani tem tração nas seis rodas, câmbio automático e transporta 11 pessoas. O motor é um Iveco Cursor 9, de 383 cv de potência. Segundo a fabricante, enquanto a produção de um caminhão requer 100 horas, a do Guarani consome 2,5 mil horas.
O veículo militar tem 6,9 metros de comprimento, 2,7 m de largura e 2,3 m de altura, capacidade anfíbia e pode ser transportado dentro da aeronave KC 390. Do Guarani vão derivar versões para socorro e comunicações, por exemplo. O futuro blindado 8×8 também usará como base o Guarani.