logo

brasil

JAC nega a possibilidade de cancelar fábrica

<style type=”text/css”>
.texto {
font-family: Verdana, Geneva, sans-serif;
font-size: 10px;
color: #666;
}
.texto {
text-align: left;
}
</style>
Author image

Giovanna Riato

22 dez 2011

4 minutos de leitura

NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS EM QUALQUER LUGAR
Email RSS Twitter WebTV Revista Mobile Rede
Social

Giovanna Riato, AB

A JAC Motors desmentiu a possibilidade de cancelar a instalação de fábrica no Brasil caso o governo não flexibilize as regras da nova política industrial para o setor automotivo. A legislação atual exige 65% de conteúdo regional do Mercosul ou México para que o carro fique isento de pagar o adicional de 30 pontos no IPI, cobrado de modelos importados.

Segundo a Folha de S. Paulo de quinta-feira, 22, Sergio Habib, dono do Grupo SHC e presidente da montadora chinesa para o Brasil, teria dito que pode cancelar a fábrica nacional caso o governo não isente a companhia do imposto majorado assim que a planta iniciar a produção, quando os carros terão cerca de 25% de conteúdo local. O empresário pretende alcançar os 65% de nacionalização em quatro anos. O executivo teria declarado ao jornal que “se a lei não mudar, melhor ter fábrica no México”.

Procurada por Automotive Business, a JAC Motors disse, categoricamente, que não tem intenção de cancelar o investimento local. Segundo a empresa, houve falha na interpretação da afirmação de Habib. A intenção do executivo era dizer que ele não iniciará a terraplanagem do terreno reservado para a fábrica, em Camaçari (BA), antes de o governo publicar o novo decreto, que deve trazer um regime diferenciado para empresas que têm investimentos anunciados no Brasil.

Segundo a companhia, não será possível começar a construir a unidade sem saber das novas regras. A intenção é esperar a legislação para então planejar a melhor estratégia para a operação nacional.

O decreto é aguardado principalmente pelas newcomers, que ainda não têm produção nacional, como JAC, Chery e BMW. O governo havia prometido anunciar as novas regras no dia 16 de dezembro, mas a data foi adiada. A publicação deve acontecer apenas no fim do primeiro trimestre de 2012. Com isso, o cronograma da fábrica da companhia poderá sofrer atraso. A intenção era começar a erguer a unidade no ano que vem para iniciar a produção em 2014.


Fiat e JAC na Folha

A polêmica em torno da fábrica começou após a Folha publicar uma declaração de Cledorvino Belini, presidente da Fiat e da Anfavea, no domingo, 18. O executivo teria afirmado ao jornal que “a JAC Motors disse que vai fazer uma fábrica na Bahia com R$ 900 milhões. Fico pensando, mas nós somos idiotas aqui. Gastei R$ 1 bilhão para fazer um carro (o novo Palio), e o cara vai fazer fábrica e produto? O diferencial é o índice de nacionalização. Trabalhamos com índice muito alto e quem está chegando está pensando em índice baixo. Quem entra acha fácil atender (aos 65% de nacionalização exigidos). Pode produzir na Argentina, no México e trazer”.

Em resposta, Habib questionou a postura de Belini como presidente da Anfavea. Na opinião dele, a JAC, que vai se filiar à entidade já no próximo ano, deveria ser recebida positivamente. O empresário teria apontado que Belini “desmereceu os chineses, nivelou todas as marcas por baixo ao dizer que não pensamos em respeitar a legislação nacional”.

A JAC Motors oficializou a instalação da fábrica nacional em novembro. A maior parte do investimento para levantar a unidade será nacional, do Grupo SHC. Cerca de 20% do aporte terá origem chinesa, por meio de transferência de tecnologia. Está previsto o desenvolvimento de um carro totalmente novo para o mercado nacional, com preço abaixo de R$ 40 mil (leiaaqui).