
Este crescimento não será alcançado apenas pelo charme britanico que o diretor de marketing da empresa, Gabriel Patini, assegura que o carro tem. A principal ferramenta da fabricante está na diversificação de preços e de equipamentos que o automóvel oferece. “Queremos que o XE seja a escolha mais inteligente do segmento. Vamos entregar o que concorrentes não oferecem”, almeja, destacando que o objetivo é competir na gama mais alta dos sedãs premium.
Rubem Barbosa, diretor de vendas da Jaguar Land Rover, acredita que o preço será grande atrativo, despertando o interesse de clientes que julgavam a marca inatingível até então. “Agora temos um produto acessível”, garante, excluindo a esmagadora maioria dos mortais que não conseguem pagar R$ 169.900 em um automóvel, preço da versão de entrada, a XE Pure. São quatro configurações. A mais cara, a XE S, parte de R$ 299.000. É luxo acessível, mas para poucos.
O modelo chega ao Brasil com duas opções de motor: 2.0 Si4 turbo, de 240 cv de potência, e o 3.0 V6 Supercharged, de 340 cv, que garante velocidade máxima limitada eletronicamente de 250 km/h ao automóvel. As duas configurações têm transmissão automática ZF de oito velocidades com possibilidade de trocas sequenciais no volante. A fabricante garante que o XE é o Jaguar mais leve, com 75% da estrutura da carroceria em alumínio.
O conceito de acessível de Barbosa tem como base jovens empresários e executivos, principalmente d sexo masculino, com entre 30 e 45 anos, que têm vida agitada em grandes cidades e querem se destacar com um carro esportivo. A Jaguar vai disputar esse consumidor com a Audi, a Mercedes-Benz e a BMW, que oferecem o A4 e o A5, o Classe C e o Série 3, respectivamente.
Para alcançar o volume de vendas esperado para o XE, a Jaguar investe em condições especiais para o endinheirado público do modelo. Há possibilidade de adesão a um plano de 3 anos para as revisões básicas do carro pelo equivalente a R$ 900 por ano. Para a compra, a companhia oferece o financiamento Access, que permite ao cliente levar o carro com entrada de 20% do valor total somada a 23 parcelas fixas e, no fim do segundo ano, permite ao cliente quitar a dívida com a chamada parcela-balão, equivalente aos 50% do valor do carro que ainda não foram pagos. Se o consumidor preferir, no lugar da prestação-balão a rede de concessionárias pode recomprar o automóvel por, no mínimo, 50% do valor pago pelo cliente, montante que pode ser usado como entrada para um novo veículo da marca.
XE E A FÁBRICA NACIONAL
O lançamento é parte da ofensiva global da Jaguar. Nos últimos cinco anos a empresa ampliou de 20 mil para 36 mil o número de funcionários espalhados nas operações mundiais. Foram aplicados 3,5 bilhões de libras no desenvolvimento de novos produtos e a companhia bateu recorde no último ano com mais de 462 mil veículos vendidos globalmente.
Neste novo contexto, o Brasil ganha importância mesmo com a contração do mercado total. Com investimento de R$ 750 milhões a empresa constrói fábrica em Itatiaia (RJ), que tem a inauguração prevista para o ano que vem, Por enquanto só está confirmada a produção local do Land Rover Discovery Sport. Apesar de os executivos da companhia não confirmarem a nacionalização de outro modelo, o aproveitamento da capacidade produtiva de 24 mil carros por ano da planta brasileira seria muito baixo caso a produção ficasse concentrada em apenas um carro. Especula-se a fabricação local de um sedã da marca Jaguar. Diante disso, o XE é forte candidato a se tornar brasileiro nos próximos anos.
