
Depois de chegar ao pior nível da queda em 2016, seguido de lenta recuperação, o mercado brasileiro de veículos leves vai superar, em 2019, o nível de vendas internas que tinha em 2015. A previsão foi feita por Vitor Klizas, presidente da Jato Dynamics, durante apresentação no Workshop Planejamento Automotivo 2019, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 27, em São Paulo. Klizas participou da palestra “As Previsões dos Consultores”. Segundo ele, o total de veículos leves vendidos no próximo ano será de 2,55 milhões.
De acordo com as projeções da Jato Dynamics, o mercado de automóveis romperá a barreira dos 2 milhões este ano e chegará a 2,19 milhões em 2019. No caso dos comerciais leves, a subida será bem suave, passando dos 355 mil deste ano para 358 mil em 2019. A Jato Dynamics prevê um crescimento constante nos próximos anos, atingindo a marca de 3,14 milhões de veículos leves em 2025.
A barreira dos 3 milhões será rompida em 2024, com um total de 3,04 milhões. Portanto, trata-se de um aumento de 1 milhão de veículos leves em um período de apenas sete anos (de 2016 a 2023).
Klizas provocou a plateia, formada por executivos da indústria automobilística, sobre a crença que é preciso ter nos forecasts. “O passado é uma lembrança, o futuro é um mistério”, disse, acrescendo que as projeções da Jato Dynamics são feitas em parceria com a LMC Automotive, empresa mundial especializada em forecasts. Para a América do Sul, as empresas devem considerar que o próximo ano ainda deverá ter uma queda no mercado da Argentina.
“Em 2019 o Brasil será a grande alavanca propulsora de negócios na América do Sul”, afirma Klizas, presidente da Jato Dynamics.
Por isso, sem a participação do Brasil, o mercado de veículos leves na América do Sul só voltará a crescer em 2020 e atingirá 1 milhão de unidades em 2025.
PRODUÇÃO VS. CAPACIDADE INSTALADA
Quanto à produção, a previsão da Jato para o Brasil é que se manterá no mesmo nível em 2019, crescendo a partir de 2020 e ficando bem próxima dos 3 milhões de veículos leves já em 2023. Como a capacidade ociosa das fábricas instaladas no Brasil chegou a 60% em 2016, Klizas prevê que a indústria ainda levará um tempo até que a produção nas fábricas supere a grande ociosidade.
Isso ocorrerá somente daqui a dois anos. E mesmo assim na proporção de 51%-49%. “Estamos falando de cenários realistas, com produção em dois turnos de oito horas”, destaca Klizas. Somente em 2025 (nove anos depois), a indústria automobilística conseguirá reverter os péssimos números de 2016, aí sim produzindo com 60% da capacidade instalada.
Como costuma fazer em suas apresentações, Klizas também abordou a questão do conteúdo e dos preços dos carros, para ilustrar como as mudanças no perfil do consumidor afetaram a indústria automobilística. Segundo os estudos da Jato Dynamics, os consumidores passaram a exigir mais conteúdo e tecnologia nos carros, por isso em alguns segmentos o preço médio subiu muito acima da inflação. A média de preços de sedãs da categoria do Toyota Corolla e do Honda Civic, por exemplo, passou de R$ 65.247 em 2015 para R$ 104.042 em 2018.