
O escritório brasileiro parece corresponder às expectativas. Foram investidos cerca de R$ 12 milhões na unidade nos últimos três anos, o número de colaboradores cresceu de seis para 20 e os clientes dobraram. Atualmente 10 montadoras usam os dados de preços e volumes da Jato no País para montar seu planejamento estratégico de vendas.
Imrie diz que a Jato ainda não teve ganhos nos mercados emergentes como China e Brasil, “mas esperamos que isso aconteça no próximo ano”, diz. “Em 2007 cerca de 30% dos lucros das montadoras veio dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). Em 2012 este porcentual dobrou para 60%. Por isso temos de estar nesses países”, avalia.
INFORMAÇÕES PARA BANCOS E CONCESSIONÁRIAS
O plano para o Brasil agora é ampliar a oferta de informações para setores correlatos, como concessionários, bancos e seguradoras, como já acontece em outros países onde a consultoria atua. “Já estamos negociando com uma instituição financeira aqui o fornecimento de dados de custo de propriedade de veículos. É uma ferramenta importante para reduzir o risco de crédito”, revela Imrie.
Segundo Gerardo San Román, presidente da Jato do Brasil, ao ter conhecimento dos custos associados à propriedade do veículo, como combustível, manutenção e impostos, o banco pode avaliar melhor a capacidade de pagamento do cliente que vai financiar. “Por exemplo, quem paga uma prestação de R$ 400 pode gastar mais R$ 200 por mês com um tipo de carro ou R$ 300 com outro, aí esse gasto mensal sobe e pode comprometer o orçamento da pessoa. Ao saber dessa informação antes, o banco evita o risco futuro de inadimplência”, explica. No caso, a financeira poderia indicar um plano mais longo, com parcelas menores, ou um automóvel que se ajusta melhor às condições financeiras da pessoa.
Outra ferramenta que a Jato vai começar a oferecer no Brasil em 2015 para concessionárias é o e-Guide, uma plataforma de informações sobre diversos carros do mercado que pode ser acessada de qualquer tablet. O vendedor terá à disposição para mostrar ao possível comprador dados como preço, emissão de CO2, consumo em km/l e tamanho do porta-malas de cada modelo, que podem ser comparados no ato com as informações dos concorrentes naquele segmento. “É um instrumento bastante efetivo para negociar com o cliente na loja”, diz Imrie.
“Queremos nos transformar de fornecedor de dados para prover soluções, com ferramentas completas preços, custo de propriedade e frota”, diz o executivo. Nesse sentido, ele afirma que o escritório brasileiro vem melhorando ano a ano. “Melhoramos muito as informações que fornecemos aqui no último ano, somos muito mais confiáveis”, destaca.
PROJEÇÕES
De acordo com o levantamento de volumes que a Jato faz nos maiores mercados do mundo, as projeções para este ano e o próximo são de crescimento moderado. Na Europa acontecem algumas recuperações notáveis, como no Reino Unido onde as vendas de veículos avançam 6% no acumulado até setembro de 2014 e na Espanha, com expansão de 29% sobre uma fraca base de comparação com 2013. Mas em dois dos maiores mercados da região, França e Alemanha, a expansão é tímida, não passa de 2%. Mesmo na China existe desaceleração: o avanço é de 6% agora contra 18% no ano passado, ainda que o maior mercado de automóveis do mundo mostre fôlego incomparável, devendo encerrar 2014 com 19 milhões de carros novos vendidos.
“Existe bastante capacidade ociosa no mundo todo e por isso os preços devem continuar estáveis em 2015, com oferta de descontos e incentivos, inclusive na China. Mas o segmento de carros premium apresenta crescimento expressivo no mercado chinês e nesse caso os preços sobem”, avalia Imrie.
No caso do Brasil a expectativa é de 3,2 milhões a 3,3 milhões de carros novos emplacados este ano, em queda de 10% a 7,5% sobre 2013. Para 2015 a projeção é de crescimento zero. Mesmo nesse cenário, os valores não devem cair, avalia Román: “A questão de preços no mercado brasileiro está em uma zona cinzenta, mais ligada à concessão de incentivos fiscais. Houve estabilidade este ano e duvido que as montadoras vão reduzir suas margens neste momento. Veja o exemplo da BMW, que começou a produzir no País mas continua a cobrar o mesmo valor do carro que importava”, diz.