
A contração severa do mercado brasileiro conferiu ao Polo Automotivo Jeep um ritmo inferior ao esperado inicialmente. Quando a planta foi inaugurada, em abril de 2015, Sergio Marchionne, CEO global da FCA, declarou que esperava melhora das vendas em 2016, projeção completamente errada. Agora, em visita ao Brasil para o lançamento do Jeep Compass (leia aqui), ele apontou que a expectativa é de que os negócios comecem enfim a se recuperar a partir de 2017.
Ainda assim, o ritmo da nova fábrica é bem superior ao de boa parte da indústria, que administra ociosidade acima de 50%. A empresa não revela o volume de produção projetado para 2016, mas aponta que o objetivo é acelerar para, em breve, alcançar o patamar de 180 mil carros anuais na fábrica, que tem potencial para fazer 250 mil unidades/ano. Atualmente 10% do total feito ali é exportado para países da América Latina, com meta de elevar este porcentual para 20%.
Vocação para atender a outros mercados não falta. Marchionne assegura que o nível de qualidade alcançado na unidade é compatível com o visto nas melhores plantas globais. A estratégia é desde o início produzir ali veículos com maior valor agregado, enquanto a unidade de Betim (MG) segue responsável pelos carros mais populares da marca Fiat.
Nessa toada, os robôs e máquinas da unidade estão longe da ociosidade. Mesmo com elevado nível de automação, há 3,1 mil funcionários só na produção da Jeep. A empresa já começou a contratar outros 500 colaboradores para dar conta da montagem do Compass. A idade média ali é de 27 anos: a força de trabalho é jovem e foi garimpada e treinada em uma região sem qualquer tradição industrial. “Sobrevoei esta área para decidir sobre o investimento e não tinha absolutamente nada aqui. Era só cana de açúcar. Agora temos uma operação completa que é modelo dentro dos nossos negócios”, diz Marchionne.
EM BUSCA DE NOVOS FORNECEDORES
Além dos funcionários da fábrica da Jeep, há outros 5 mil trabalhadores dentro do Polo Automotivo na operação dos 16 fornecedores instalados ali. Cerca de 30% da força de trabalho do empreendimento é feminina, porcentual bastante expressivo. Os parceiros instalados dentro da área da planta entregam 41% dos componentes necessários para montar os veículos ali. “São os processos mais estratégicos. Integramos aqui empresas de vários países e culturas com o mesmo nível de qualidade. Todos tiveram de mudar mentalidade e paradigma”, pontua Alfredo Fernandez, diretor do parque de fornecedores do Polo Automotivo Jeep.
Segundo ele, a crise atrapalhou, na verdade, a negociação do segundo supply park que a FCA pretende instalar ali. O outro empreendimento ficará fora do terreno do Polo Automotivo, a 20 minutos, e servirá para localizar ainda mais a produção. “Estamos negociando, mas somos a única montadora instalada na região para quem nossos parceiros poderão fornecer. Com a baixa nas vendas, fica mais difícil chegar a um entendimento”, conta o executivo. Mesmo com os desafios, ele espera fechar as parcerias logo para começar a construção já em 2017. O acordo é que as empresas se instalem com máquinas próprias nos prédios construídos pela FCA.
Até lá a companhia segue gerenciando a complexa – e admirável -logística da unidade, com componentes entregues pelos fornecedores do Polo Automotivo em regimes just in time (no mesmo dia que serão usados na linha de montagem do carro) e just em sequence (meia hora antes de serem montados no carros). Uma série de outras autopeças e sistemas vem ainda de mais longe, do Sul do País e da região da fábrica de Betim.
