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Joelmir Beting: “O mundo agora precisa do Brasil”

Joelmir Beting fez a palestra de abertura do seminário Budget, de AutoData, dia 11 de agosto, analisando os cenários macroeconômicos. Para ele, estamos decolando, ainda que sem plano de vôo, para o século do Brasil: “O mundo, que nunca precisou muito do Brasil, agora depende dele”. Rompemos a crise da espera – assegurou o jornalista e comentarista da Bandeirantes. Ele entende que o governo atual não embarcou na ideologia da ruptura – sem programa, fez pirataria das estratégias do governo anterior e privilegia a busca da estabilidade da economia, fator condicionante para o crescimento. “Não há crescimento sem estabilização” – sentenciou Joelmir, que criticou a carga tributária ao nível de 38% do PIB: “O garrote tributário leva à economia informal. A força formal não chega a 40% da força de trabalho”. Ele enfatizou a ‘desbancarização’ da economia: o fornecedor de insumos e o comprador do produto financiam a produção. Os bancos atrelados às montadoras estimulam a demanda de veículos com juros anuais de 25%, em contraste com juros de 275% no crédito fácil, de 228% no cartão de crédito. Joelmir enfatizou que o relatório Focus do Banco Central representa uma bússola para o mercado, apresentando toda segunda-feira a revisão das projeções de mercado enviadas por 104 bancos. A projeção para a Selic este ano é de 14,75% – hoje está em 13% e são esperadas três elevações até o final do ano, uma de 0,75 e duas de 0,5 pontos percentuais. No ano que vem o arrocho continuará, com uma média anual da Selic na casa dos 14%. O PIB avançará 4,8% este ano e 3,9% em 2009 (foi 5,4% em 2007). A taxa do dólar em relação ao real ficará na média de 1,70 ao longo do ano que vem, chegando a dezembro em 1,72. “O câmbio bate no fundo do poço este ano”. As reservas do país devem chegar a US$ 210 bilhões até o final do ano e avançar para US$ 250 bilhões no final de 2009. Mas as contas externas ficarão no vermelho, afetando o risco país. Joelmir centrou fogo na política monetária que, anacrônica e em overdose, não estaria a serviço do controle da inflação e sim da rolagem da dívida provocada pelo governo. Recomendou a leitura do livro de Alan Greenspan “Efeitos inflacionistas de políticas monetárias contracionistas”. Concluiu a palestra afirmando que hoje o mercado é o cliente: “A Internet muda o metabolismo do mercado, onde o cliente tornou-se absolutamente infiel. Há hoje um leilão reverso, pelo lado da demanda, que obriga a entregar maior valor pelo menor custo.”
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cria

14 ago 2008

2 minutos de leitura