
A joint venture entre Stellantis e Guangzhou Automobile Group (GAC), responsável pela produção dos veículos Jeep na China, declarou falência. Em comunicado, a Stellantis disse que a decisão de encerrar o empreendimento decorre de um prejuízo do grupo com o investimento no primeiro semestre do ano.
A marca diz que continuará prestando serviços aos clientes chineses da Jeep. As vendas na joint venture, que produziu e vendeu os SUVs Cherokee e Compass, tiveram queda acentuada nos últimos quatro anos. O volume caiu 50% em 2021 em relação ao ano anterior, com 20.396 unidades vendidas.
Em 2022, até o anúncio da falência, o empreendimento vendeu menos de 2 mil veículos. Em maio, vendeu apenas um único veículo.
Jeep Stellantis: falência por não se adaptar ao mercado
Bill Russo, chefe da consultoria Automobility em Xangai e ex-executivo da Chrysler, disse que a Jeep não conseguiu acompanhar as mudanças no mercado chinês e se adaptar às demandas dos clientes.
“O empreendimento tinha como ser bem sucedido em um mercado que abraçou veículos utilitários esportivos, mas você não pode executar um modelo de negócios dos anos 1980 quando o século 21 chegou”, analisou.
Ao relatar os resultados financeiros em julho, Carlos Tavares, CEO da Stellantis, destacou o crescimento da “influência política” ao fazer negócios com seus parceiros na China. Agora, o executivo avaliou que o rompimento da joint venture não deve ter grande impacto.
Montadoras são afetadas por mudanças na China
No início de outubro, Tavares disse que as montadoras chinesas deveriam estar sujeitas às mesmas tarifas ao exportar veículos leves para a Europa que as marcas europeias enfrentam ao exportar para a China. As montadoras estrangeiras se veem afetadas pelas mudanças no mercado chinês, que rapidamente está migrando para veículos elétricos, com as marcas nacionais conquistando maior participação.
Segundo a Associação de Carros de Passageiros da China, montadoras estrangeiras como a Stellantis viram sua participação no mercado automotivo da China, agora o maior do mundo, diminuir 5,5 pontos percentuais no ano passado, para 45,6%.
O modelo de joint venture, no qual a China insistiu como condição para o investimento de montadoras estrangeiras, está ameaçado. Essa é a avaliação de Chee-Kiang Lim, diretor administrativo para a China da consultoria Urban Science, com sede em Detroit, nos EUA.
“A política de joint venture foi originalmente projetada para obrigar marcas estrangeiras a compartilhar suas marcas e tecnologia com chinesas locais (fabricantes de automóveis) em troca de acesso ao grande e crescente mercado automotivo da China”, explicou.
A Tesla é a única montadora global que recebeu isenção para produzir veículos na China sem uma joint venture.