Já escrevi sobre isso e volto ao assunto, pois percebo que muito se fala, mas pouco se faz, e isso tem de mudar. É como ficar se lamentando pelo leite derramado; esta situação não vai se resolver por conta própria, é preciso traçar um plano de ação para que essas mentes brilhantes do País sejam também mais aproveitadas no setor produtivo, e não apenas pelos bancos ou nos campo acadêmico, como ocorre atualmente.
Assim, são dois problemas: primeiro formamos poucos engenheiros e boa parte migra para outros setores que pagam melhor. Outro caso são aqueles que investem em cursos de especialização e pós-graduação e optam pela carreira acadêmica, pois raramente recebem o devido reconhecimento nas indústrias do setor.
Vale lembrar que a China forma 650 mil engenheiros por ano, a Índia, 220 mil e a Coreia, 80 mil, enquanto nós, apenas 38 mil. Além disso, apresentamos baixo índice de inovação. Segundo relatório da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), em 2010, a China apresentou crescimento de 56,2% no número de pedidos de patentes, em relação a 2009, com 12 mil pedidos, o que a faz ocupar hoje o quarto lugar no ranking dos países que mais inovam, atrás apenas dos Estados Unidos, com 45 mil pedidos de patentes em 2010, Japão (32 mil) e Alemanha (17 mil).
Já o Brasil apresentou apenas 442 pedidos de patentes em 2010. Em outras palavras, fazemos pesquisas mas poucas se transformam em tecnologia. Podemos mudar este quadro? Devemos, e já não dá mais para esperar ações governamentais, a sociedade civil organizada tem poder para intervir de forma construtiva.
Primeiro é preciso que a indústria e entidades acadêmicas (universidades, faculdades, escolas técnicas) se aproximem, troquem informações já que, apesar de não parecer, estas são atividades complementares. A escola forma a mão de obra para a indústria, e tem de fazer isso para atender às necessidades atuais. São frequentes as reclamações de falta de conhecimentos específicos dos recém-formados e que são necessárias horas de treinamento para que atendam a função contratada.
Feito isso, em paralelo, é preciso estimular o desejo do recém-formado de seguir carreira na profissão que ele escolheu estudar. Em outras palavras, evitar perder mão de obra qualificada para outros setores.
Nós do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva estamos atentos a isso, que mexe com a competitividade do setor automotivo brasileiro frente à concorrência dos produtos vindos de fora, principalmente a China. Por enquanto o país produz mais quantidade do que qualidade mas, no andar da carruagem, logo produzirá com quantidade e qualidade. Mais tarde, além de competitiva, a China será fonte de inovação tecnológica.
Ainda há tempo para minimizar os efeitos da forte concorrência. Podemos nos fortalecer e nos tornar competitivos se indústria e academia andarem juntos, em sinergia, perseguindo objetivos comuns.