
A Justiça dos Estados Unidos rejeitou a abertura de um terceiro julgamento do processo de assédio racial envolvendo a Tesla e um ex-funcionário negro.
O juiz, William Orrick, em São Francisco, manteve um veredito de que a Tesla teria de pagar US$ 3,2 milhões a Owen Diaz em abril, mas negou sua moção para um novo julgamento e ao mesmo tempo rejeitou a tentativa da montadora de reduzir a indenização pela metade.
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No documento, o juiz afirmou que a decisão se justificava pelo fato de que a o racismo é “endêmico na fábrica da Tesla e do repetido fracasso da Tesla em retificá-lo”.
O processo inicial afirmava que os empregados estavam na fábrica de São Francisco, em uma “cena parecida com a era Jim Crow”, em referência à lei de segregação racial que vigorou nos EUA no início do século 20. O documento afirmava que os funcionários negros encontravam pichações racistas nos banheiros, além de insultos cotidianos.
No novo pedido de processo, os advogados do ex-funcionário argumentaram que a equipe jurídica de Tesla fez perguntas impróprias, acusou infundadamente uma testemunha de mentir e fez declarações enganosas ao júri durante um julgamento no início deste ano.
Decisão do juri mantida
O juiz, por sua vez, afirmou que qualquer má conduta por parte dos advogados da empresa não permeou todo o julgamento a ponto de influenciar e prejudicar a decisão do júri.
Lawrence Organ, advogado de Diaz, disse à Reuters, que estava considerando um recurso e espera, também, que Tesla entre com um visando reduzir a sentença.
Segundo ele, a indenização de US$ 3,2 milhões era grande para um caso de discriminação racial e demonstrava a gravidade do assédio alegado por Diaz. “Os tribunais normalmente não determinam sentenças multimilionárias nestes casos, portanto, desse ponto de vista, esta é claramente uma vitória para Diaz e para os direitos civis”, disse Organ.
Tesla perde em mais uma ação coletiva
A Tesla disse, à Reuters, que não tolera discriminação e leva a sério as reclamações dos trabalhadores.
A empresa também negou irregularidades em vários outros processos judiciais, alegando que funcionários da fábrica de Fremont e de outras fábricas e centros de serviços enfrentaram assédio racial ou sexual.
Esses casos incluem uma proposta de ação coletiva de trabalhadores negros e uma ação judicial movida por uma agência estadual da Califórnia, alegando discriminação racial generalizada na fábrica de Fremont, que Tesla afirma ter motivação política.
Na semana passada, a Tesla foi processada pela comissão de igualdade no emprego dos Estados Unidos (EEOC), por assédio racial. No processo, o órgão afirma que desde 2015 os trabalhadores negros das fábricas têm sido rotineiramente sujeitos a insultos racistas e pichações e retaliados por reclamarem do assédio.
A EEOC processou a Tesla sob a lei federal que proíbe a discriminação no local de trabalho. A montadora vai ter de pagar US$ 300mil por trabalhador. A ação coletiva e o processo da agência estadual alegam violações da lei da Califórnia, que não tem limites de pagamento.