
Em 2011, melhor ano do setor de motos, a antecessora Ninja 250 respondia por 42,4% das vendas. Em 2012, ano de transição para a 300, as duas juntas chegaram a 50% do total de Kawasakis repassadas da fábrica à rede. Atualmente, a Ninja 300 tem 36,6% das vendas totais da marca. Nem só este modelo é atingido pela dificuldade de aprovação das propostas de financiamento: “Os modelos ER6N e Ninja 650 também acabam afetados”, afirma o consultor de marketing da Kawasaki, Ricardo Suzuki.
O executivo afirma que um grande problema das fabricantes de motos de Manaus é a necessidade de planejamento de longo prazo, prejudicada pelas oscilações do mercado. “A empresa foi pega de surpresa com o aumento da restrição ao crédito no fim de 2011 e início de 2012. Já havíamos adquirido os kits (motos desmontadas) para um mercado crescente. Nossa programação é de um, às vezes dois anos de antecedência. Por isso ainda temos motos 2012 à venda”, explica Ricardo Suzuki.
Com o mercado em queda, a rede deixou de crescer: “Temos atualmente 45 concessionárias, o mesmo número há três anos”, afirma. “Deveríamos estar em cerca de 70 revendas”, estima. Ricardo Suzuki cita também o aumento da concorrência, usando como exemplo a chegada da Triumph e ampliação da oferta de modelos Honda. A insegurança dos consumidores pelo momento econômico também estaria adiando a decisão de compra das motos. No momento, a Kawasaki aguarda os desdobramentos da eleição e a definição de um cenário. “Ainda não estamos aumentando nossos pedidos (à matriz). Se o País sair desse círculo vicioso e entrar numa rota ascendente, ainda vai demorar mais um ano para o mercado superar a crise”, crê Ricardo Suzuki.
A fábrica da Kawasaki em Manaus produz apenas motos, mas a empresa também importa e vende no Brasil jet skis e quadriciclos. Antes de inaugurar a própria fábrica, a Kawasaki já havia montado localmente por intermédio da AVA, que deixou de atuar na década passada.