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Mário Curcio, AB
De Montevidéu, Uruguai
A linha de montagem do caminhão Bongo no Uruguai comemora um ano de existência e 5 mil unidades produzidas (média mensal de 416 unidades). A operação é feita dentro das instalações da uruguaia Nordex, fundada há 50 anos: “A empresa tinha capacidade ociosa. Era mais interessante passar a montagem a ela”, afirma o diretor de desenvolvimento industrial da Kia, João Pessoa (foto ao lado), comparando a produção naquele local a uma eventual fábrica própria.
De fato, o investimento foi relativamente pequeno, US$ 25 milhões, já que boa parte do caminhão já vem pronta da Coreia do Sul. A Nordex recebe por unidade montada, valor não revelado. Os funcionários dedicados somente ao caminhãozinho Kia somam 178. São bem jovens. Aqueles que trabalham na linha final, onde o chassi recebe a cabine, suspensões, motor e tudo o mais têm 22 a 23 anos. A média etária parece um pouco mais alta na seção que arma os painéis da cabine.
Até o segundo semestre de 2012 haverá mais 70 funcionários, necessários para a entrada do segundo turno, assim como o aporte de US$ 10 milhões até maio. “A produção passará das atuais 700 para 1.400 a 1.500 unidades/mês”, afirma Pessoa. Atualmente, o Brasil consome praticamente todos os Bongos armados ali. Dos primeiros 5 mil, 4.680 vieram para o Brasil. O restante foi vendido no Uruguai.
“O Brasil tem hoje uma demanda maior que a oferta”, afirma João Pessoa. A legislação que restringe o uso de caminhões grandes na cidade de São Paulo provocou aumento na procura de modelos como este Kia. Durante todo o ano passado foram vendidos cerca de 9 mil Bongos no Brasil. Somente até julho de 2011 eles já chegavam a 7 mil. Com 4,82 metros de comprimento, ele tem peso bruto total de 3.392 quilos. Quando equipado com uma caçamba, sua capacidade de carga é de 1.530 quilos.
Embora o Bongo tenha mais de um tipo de cabine, rodeiro e tração, o carro-chefe (mais de 95% das vendas) é o modelo montado no Uruguai. Lá é feito com cabine e rodeiro simples, tração 4×2 e motor 2.5 turbodiesel de 94 cv (o restante vem da Coreia do Sul). Segundo a Kia, todos os trabalhadores envolvidos em sua produção uruguaia recebem 40 horas de treinamento antes de manusear qualquer peça e são supervisionados durante três semanas quando entram na linha de montagem.
Como resultado, os veículos têm apresentado 98% das medidas dentro do controle dimensional. Toda semana, dois caminhões saídos da linha passam por uma verificação detalhada. A aparência geral dentro da fábrica agrada, mas uma goteira (aparada por um balde plástico) no fim da linha destoava do que se via ao redor. Nessa mesma unidade da Nordex (chamada Ernesto Soler), uma segunda linha alterna a produção de caminhões Renault (cinco por dia) ou Dongfeng (oito por dia). “De acordo com a demanda é produzido um ou outro”, afirma o diretor-executivo da empresa, Federico Posadas.
Montagem parcial

As operações mais complexas para fazer ali o Kia Bongo são o fechamento da cabine e a pintura. Os painéis que a compõem já chegam estampados da Ásia, mas precisam ser armados. A pintura emprega um processo que elimina a aplicação de primer. Todo Bongo sai de lá branquinho, não há outra cor disponível. Segundo a Kia, 47% do conteúdo utilizado no veículo é do Mercosul. O Brasil colabora com pneus, rodas, rastreador, bateria, macaco hidráulico e vidros. O Uruguai fornece isolamento acústico, bancos, lubrificante, fluidos e materiais de consumo (lixas, por exemplo). Da Argentina sai a matéria-prima para a pintura.
A partir de maio o Uruguai fornecerá também o chassi e o tanque de combustível. Num passo seguinte a Argentina fará carpete e amortecedores e o Brasil, o feixe de molas. Outros itens a ser “mercosulizados” (ainda sem prazo definido) são o eixo traseiro, a suspensão dianteira, a iluminação posterior (lanternas), a forração do teto, os retrovisores externos e guarnições de borracha, entre outros. Por questões legais, em dois anos esse conteúdo regional tem de atingir 60% como forma de manter o Bongo isento do imposto de importação.