
O setor automotivo é responsável por cerca de 50% das vendas globais da Kistler, mas no Brasil essa participação atualmente passa dos 80%. “É o setor com quem mais temos conversado, tanto para fornecimento de equipamentos para linhas de manufatura como para novos laboratórios de desenvolvimento e testes”, revela Fábio Luiz Viviani, gerente geral do escritório brasileiro da empresa – aberto há quase um ano, substituindo a representação local que era feita pela Panambra.
Após “sentir” o mercado nesse período, a Kistler inaugura oficialmente a subsidiária brasileira em setembro próximo. Com os próximos investimentos da indústria em vista, Viviani espera quadruplicar o faturamento da empresa no Brasil nos próximos anos. Os sensores serão importados das fábricas da Kistler na Suíça, Alemanha e Estados Unidos. “São produtos muito específicos, que dificilmente serão fabricados em outras partes do mundo”, diz o gerente.
CLIENTES
Os principais clientes no Brasil têm sido os fornecedores de maquinário automatizado. Um desses fornecedores, por exemplo, recentemente adquiriu um lote de sensores que vão equipar prensas eletromecânicas compradas pela Volkswagen – elas devem ser usadas na nova fábrica de motores do compacto Up!, que está sendo construída em São Carlos (SP), ao lado da linha de produção atual (leia aqui).
Viviani acredita que o novo regime automotivo e legislações mais apertadas abrem oportunidades de negócios para fornecimento de equipamentos para centros de desenvolvimento de veículos no País, já que a Kistler tem linha bastante ampla de equipamentos para testes veiculares.
Na área de sensores para laboratórios de crash tests – um único dummie (boneco) usado em um teste pode ter mais de 200 sensores para aquisição de informações – a nova legislação brasileira pode abrir algumas oportunidades de fornecimento de sensores. A lei prevê a realização obrigatória de testes de impacto frontal e traseiro para todos os veículos fabricados no Brasil a partir de 2013. No País, só duas montadoras (Volkswagen e General Motors) atualmente mantêm seus próprios laboratórios de crash tests.
“A não ser que consigam levar os técnicos do Inmetro para fazer validações no exterior, vamos ter de montar muitos centros de crash test aqui”, avalia Viviani. Segundo ele, já existem negociações em andamento para instalar alguns laboratórios, como no recém-inaugurado Centro Tecnológico de Sorocaba (SP), perto da nova fábrica da Toyota.
O executivo conta que a Kistler Brasil está agora em fase de contratação de engenheiros para dar suporte aos clientes e trará equipamentos de calibragem para prestar esse serviço aqui. “Seremos os únicos dessa área a oferecer monitoramento e calibragem local de nossos sistemas.”
PESAGEM EM MOVIMENTO
Outra oportunidade de negócio em andamento na mira da Kistler é a instalação em várias estradas no País de sistemas de pesagem em movimento de caminhões. São sensores instalados na pista (parecidos com os radares de velocidade) capazes de medir o peso dos veículos que passam a até 120 km/h, sem a necessidade de desvios em postos de pesagem. “O sistema é bastante eficiente e, acionando câmeras de registro e avisos de parada obrigatória para quem estiver trafegando com carga acima da capacidade permitida”, explica Viviani.
Nenhum negócio foi fechado até agora nessa área, mas Viviani conta que o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) já abriu edital de concorrência para a instalação de 150 postos de pesagem automática nas estradas brasileiras. O processo foi interrompido no ano passado e deve ser retomado este ano.