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Pedro Kutney, AB
“Estávamos com o plano de construção da fábrica brasileira bastante adiantado, mas em setembro, depois do decreto (7567, que elevou em 30 pontos porcentuais o IPI de veículos importados de fora do México e Mercosul), tudo parou”, revelou Flavio Padovan, presidente da Jaguar Lando Rover para América Latina e Caribe, pouco depois de tomar posse da presidência da Abeiva, a associação dos importadores sem fábricas no Brasil (leia aqui).
Segundo Padovan, há cerca de um ano, em fevereiro de 2011, apenas quatro meses após assumir o comando da Jaguar Land Rover no País, ele começou a buscar os possíveis lugares para a construção de uma fábrica no Brasil, “todos fora de São Paulo”. O executivo contou que em setembro, pouco antes do anúncio do decreto, “já tínhamos duas cidades finalistas e estávamos prestes a definir o local”.
Com a edição do Decreto 7567, os planos da Land Rover precisaram ser necessariamente revistos, já que a intenção, segundo Padovan, era ter aqui uma linha de montagem de partes importadas em regime de CKD, o que não atende às exigências da nova regulamentação, de utilização de conteúdo local mínimo de 65% e realização de operações industriais completas. “Para nós é muito difícil atingir esses índices, porque temos produtos de nicho, com vendas de pequenos volumes. Por isso não há escala industrial para fazer aqui a maioria dos componentes e sistemas usados nos Land Rover”, ponderou o executivo. “No nosso caso até um índice inicial de 40% seria elevado.”
Padovan diz que ainda tem esperança em uma flexibilização maior do regime automotivo em gestação no Ministério do Desenvolvimento, com cotas de importação isentas do IPI maior e índices de nacionalização mais baixos. Caso contrário, ele reconhece que o plano da fábrica no Brasil, que voltou para a gaveta em setembro, pode não sair mais de lá.