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Natalia Gómez, para AB
A multinacional química alemã Lanxess promoveu na quinta-feira, 6, hoje o “Automotive Day Brasil”, evento que debateu as soluções de alta tecnologia para a indústria automotiva do futuro. Realizado no Grand Hyatt São Paulo, o seminário reuniu especialistas de vários países para discutir as principais tendências e expectativas para os próximos anos relacionadas à cadeia de valor do automóvel, bem como a preparação do Brasil para lidar com os desafios futuros.
Um dos destaques foi a apresentação do carro do futuro, feita pelo diretor de conceitos de veículos de tecnologia avançada da GM e do Programa EN-V, Christopher Borroni-Bird. O executivo afirmou que os problemas das grandes cidades em relação à mobilidade urbana estão levando o setor automotivo a repensar o conceito do automóvel. Segundo ele, a fonte de energia do carro do futuro será a eletricidade e não mais os derivados do petróleo, e os veículos serão movidos e controlados eletronicamente.
Outra grande mudança prevista pelo executivo é a produção de carros sob medida para usos específicos. De acordo com Borroni, hoje os automóveis são dimensionados para sua utilização máxima, o que gera efeitos colaterais como alto consumo de combustível, congestionamentos, dificuldades para estacionar, altos custos e danos ao meio ambiente. Por isso, o carro das cidades do futuro deverá ter até um terço da massa dos atuais, e transportará menor número de pessoas.
Batizado de EN-V, o carro em estudo pela montadora terá capacidade de se conectar com outros veículos, com a infraestrutura urbana (como calçadas e semáforos) e até mesmo com ciclistas e pedestres, reduzindo o risco de colisões. A comunicação ocorrerá por meio de antenas e sensores instalados no teto, na frente e nas laterais do veículo. A direção será autônoma ou semi-autônoma, o que permitirá a sua utilização por crianças, idosos e pessoas com deficiência física. Segundo o executivo, o EN-V não deve se tornar realidade de mercado no curto prazo, mas é importante começar a pensar no tema. “São ideias futuristas, mas pela primeira vez a tecnologia nos permite pensar nisso”, afirmou.
Desafios para o automóvel do futuro
Apesar das vantagens do EN-V, executivos do setor automotivo discutiram também os desafios que este novo modelo de automóvel poderá enfrentar no mercado brasileiro. O gerente executivo de design da Volkswagen, Luiz Alberto Veiga, afirmou que a direção autônoma do veículo seria um grande benefício em cidades como São Paulo, mas destacou que a convivência com carros de grande porte e com ônibus e caminhões poderia ser difícil, pois existe uma verdadeira “guerra” no trânsito. “São aspectos que devem ser analisados porque a realidade no Brasil é bem diferente da Europa ou Estados Unidos”, afirmou durante debate.
Os especialistas acreditam que o carro do futuro com grande conteúdo nacional ainda levará tempo para se tornar uma realidade no País. Segundo o diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Clayton Campanhola, dificilmente isso ocorrerá antes de 2020. “Em todo o mundo a expectativa é de que isso demora algum tempo”, disse. Outro desafio que será enfrentado mundialmente é o desenvolvimento de postos para abastecimento dos carros elétricos e da infraestrutura necessária para a comunicação sem fio dos veículos, segundo Borroni-Bird.
Enquanto isso não ocorrer, a indústria fornecedora de matéria-prima tem um longo caminho a percorrer e várias oportunidades de inovação. Werner Breuers, executivo da Lanxess, afirmou que os carros do futuro não precisarão de peças tão versáteis porque terão usos mais específicos. Os pneus, por exemplo, poderão ter características voltadas apenas para o uso em cidades, segundo ele. “Estamos coletando idéias em todo o mundo, e assim temos uma boa idéia de qual direção seguir e de qual é o material certo para a indústria automotiva”, disse.
A Lanxess anunciou investimentos de R$ 75 milhões no mercado brasileiro. O aporte será destinado para a construção de duas novas unidades industriais em Porto Feliz (SP) e para o início da produção da borracha de EPDM verde em Triunfo (RS). Os três projetos devem entrar em operação até meados de 2013. Durante entrevista coletiva, o presidente do Conselho de Administração da Lanxess, Axel Heitmann, destacou a importância do Brasil na estratégia de crescimento da companhia, e afirmou que a expansão da Lanxess no mercado brasileiro continuará nos próximos anos, tanto por meio de projetos de expansão quanto via aquisições de outras empresas.
A reinvenção do automóvel
Borroni-Bird é um dos autores do livro ‘A reinvenção do Automóvel – Mobilidade urbana pessoal para o século XXI’, da editora Alaúde, que traz ideias também de William J. Mitchell e do consultor de empresas Lawrence D. Burns sobre as possibilidades e tecnologias para os carros do futuro.
A publicação registra que as tecnologias para o automóvel do futuro já foram desenvolvidas mas que ainda precisam ser reunidas em um único veículo. Os escritores apostam que os veículos do futuro terão o design diferenciado, menores medidas e peso, motores elétricos ou células de hidrogênio – que não emitem poluentes e dispensarão a intervenção do motorista para chegar a um determinado destino.