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Lanxess investirá € 80 milhões na fábrica de Triunfo (RS)

A Lanxess, fabricante do setor químico para borracha de alta performance, volta seus olhos para o Brasil: a empresa anuncia o investimento de € 80 milhões (R$ 208 milhões) em sua fábrica de Triunfo (RS) para converter a produção de borracha de estireno butadieno em emulsão (E-SBR), utilizada na fabricação de pneus convencionais, para borracha de estireno butadieno em solução (S-SBR), utilizada nos chamados pneus verdes de alto desempenho. Com capacidade para 110 mil toneladas métricas por ano, a mesma que a atual para o E-SBR, a unidade inicia a produção da nova borracha sintética no fim de 2014 e terá 500 trabalhadores adicionais durante a fase de transição. A empresa informa que manterá a produção e fornecimento da borracha convencional E-SBR na unidade de Duque de Caxias (RJ) em volume suficiente para atender a demanda do mercado nacional.
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Redação AB

04 mar 2013

5 minutos de leitura

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Segundo Werner Breuners, membro do conselho administrativo da Lanxess, o crescimento do País como economia global justifica o investimento. “Quando iniciamos nossas atividades aqui, em 2005, o Brasil representava apenas 1% do nosso faturamento global e hoje essa representatividade subiu para 10% e deve se manter neste patamar nos próximos anos. Percebemos que nossas vendas em países emergentes mais que dobraram nos últimos seis anos e nossa estratégia está voltada para estes mercados, como os do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que hoje respondem por 25% da nossa receita”, disse Breuners durante o anúncio do investimento na segunda-feira, 4, em São Paulo.

Com o início da produção do S-SBR no Brasil até o fim de 2014, a empresa passará a fornecer todos os ingredientes necessários para a confecção do pneu verde no País, incluindo a Nd-PBR (borracha de polibutadieno com catalisador de neodímio). A S-SBR é utilizada principalmente na composição da banda de rodagem dos pneus verdes e a Nd-PBR é usada na banda de rodagem e laterais.

Estudos mostram que de 20% a 30% do consumo de combustível de um veículo e 24% das emissões de CO2 de um veículo nas estradas estão relacionados com os pneus. Segundo a Lanxess, os pneus verdes podem reduzir o consumo de combustível em 5% a 7% e têm um período de amortização mais curto do custo em comparação com outras tecnologias de economia de combustível, como sistemas automáticos de partida e parada e unidades híbridas.

“Qualquer tentativa de melhorar a segurança, a durabilidade ou a eficiência de um pneu normalmente faz com que ele execute um desempenho mais fraco em uma ou ambas das outras duas características. Isso é o que os designers de pneus referem-se como ‘triângulo mágico’. Mas usando borrachas de alto desempenho torna-se possível expandir o triângulo e produzir um pneu que tem um melhor desempenho em todas as três dimensões”, explica o diretor global da unidade de negócios Performance Butadiene Rubbers, Joachim Grub.

O executivo informa que o investimento no Brasil faz parte da expansão global da divisão em mercados de rápido crescimento e cita outro aporte, de € 200 milhões, em curso para a construção de uma nova fábrica para produzir Nb-PBR em Cingapura, com capacidade para 140 mil toneladas métricas por ano e início das operações agendado para o primeiro semestre de 2015.

“O crescimento global para ambos os tipos de borracha é estimado em 10% ao ano até 2017, à medida que os consumidores mudam para os pneus verdes”, argumenta.

DEMANDA VERDE IMINENTE

A estratégia da Lanxess em investir no Brasil baseia-se não só em fortalecer sua base produtiva, mas também em tendências e exigências do mercado, tais como a etiquetagem dos pneus e o novo regime automotivo Inovar-Auto, que exige melhorias na eficiência de combustível de pelo menos 12% até 2017.

“Uma vez que pneus verdes podem proporcionar uma melhora de eficiência de até 7% sobre os pneus convencionais, os novos regulamentos conduzirão a nova demanda por materiais que proporcionem baixa resistência ao rolamento”, disse Grub.

Sobre a etiquetagem de pneus, a portaria do Inmetro deve torná-la obrigatória no Brasil em 2016, como parte do Programa de Etiquetagem, mas os primeiros pneus etiquetados devem começar a aparecer no mercado já em 2014. Na Europa, a etiqueta tornou-se obrigatória em pneus em novembro de 2012 e classifica os produtos quanto à eficiência a partir da avaliação dos níveis de aderência ao piso molhado, resistência ao rolamento e ruído, com classificação de A até G, sendo da categoria A os pneus com a melhor performance. Diferente dos Estados Unidos que também já adotou a etiqueta para pneus, o modelo europeu da etiqueta não optou por colocar a avaliação de durabilidade. A etiqueta brasileira seguirá o modelo europeu.

Para o presidente da Lanxess no Brasil, Marcelo Lacerda, a diferença de custo de um pneu verde em comparação com um pneu convencional é pequena, algo como US$ 20 ou US$ 30. Ele acredita que o valor maior do pneu verde não deverá ser um problema no Brasil.

“O pneu verde deverá sim ser mais caro, mas a economia de combustível que se faz com ele oscilará entre 5% e 10%: após um ano, o investimento do pneu voltará para o bolso do consumidor”, argumentou. Ele acrescentou que a empresa já registra um movimento concreto de interesse dos clientes brasileiros (fabricantes de pneus) pelas borrachas de alta performance. “Assim aconteceu com outras tecnologias, quando elas chegam, a tendência é aumentar a demanda: é um movimento irreversível”, concluiu.