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Na avaliação, que vale para as versões hatch e sedã do Yaris, o Latin NCAP divulgou que em 2019 testou veículos produzidos no Brasil e na Tailândia, vendidos respectivamente nos mercados brasileiro e mexicano. Desta vez, foram feitos testes regulares de auditoria apenas com o Yaris tailandês comercializado no México, equipado por padrão com dois airbags frontais e controle eletrônico de estabilidade (ESC). Segundo a Toyota, este carro também é exportado da Ásia para Chile, Peru, Bolívia, Costa Rica, República Dominicana, Equador e Panamá, enquanto Brasil, Argentina e Colômbia são atendidos pela fábrica brasileira de Sorocaba (SP).
Nova avaliação e reavaliação de auditoria
Na avaliação sob os novos protocolos do Latin NCA, o Yaris tailandês atingiu 41,43% em Proteção de Ocupantes Adultos, 63,85% em Proteção de Ocupantes Crianças, 61,63% em Proteção de Pedestres e Usuários Vulneráveis e 41,86% em Sistemas de Assistência à Segurança, o que totaliza apenas uma estrela na escala geral do Latin NCAP. Na auditoria, com base nos critérios antigos, a nota de 2019 recebida pelo Yaris foi rebaixada de quatro para três estrelas.
O Latin NCAP listou os principais deméritos de segurança do compacto tailandês da Toyota, a começar pela ausência de airbags laterais de cabeça (cortina) e corpo, como é oferecido no mesmo modelo na Malásia, por exemplo, e em todas as versões do Yaris brasileiro comercializado na Argentina e na opção topo de linha no Brasil, que tem sete airbags de série.
No teste de impacto frontal, a unidade avaliada em 2019 já tinha apresentado instabilidades na estrutura do habitáculo e a área da zona dos pés. Na época, a proteção em impacto lateral do carro feito na Tailândia foi melhor do que o modelo brasileiro. Já na auditoria deste ano, o Yaris tailandês foi pior porque na simulação de batida lateral a porta abriu, com risco de ejeção do passageiro. Outra falha foi do sistema de aviso de uso do cinto de segurança (SBR), que não detectou o passageiro da frente.
O Latin NCAP reconhece que o Yaris oferece equipamentos opcionais em alguns países da América Latina que potencialmente iriam melhorar o desempenho de segurança do modelo e poderiam ter se tornado padrão em toda a gama na região. Contudo, segundo a entidade, a Toyota no México se recusou a avaliar o carro com esses opcionais para mostrar seu desempenho, o que na visão da organização “levanta dúvidas sobre a eficácia deles”.
Após nota mais baixa, Toyota diz valorizar testes do Latin NCAP
Esta foi a nota mais baixa das sete avaliações que o Latin NCAP já fez com carros da Toyota. A marca ganhou cinco estrelas em quatro testes feitos com modelos equipados com sete airbags, incluindo o sedã Corolla produzido no Brasil e testado em 2017 e 2019, depois com o SUV japonês RAV 4 e a picape argentina Hilux, ambos avaliados em 2019, mesmo ano em que Etios e Yaris com dois airbags receberam quatro estrelas.
“É surpreendente e decepcionante o primeiro resultado de uma estrela da Toyota, com o Yaris. É preocupante que uma decisão da Toyota México seja o principal motivo para este resultado, pela opção de não proporcionar os principais equipamentos de segurança de série neste momento”, afirmou Alejandro Furas, secretário geral do Latin NCAP, referindo-se à ausência de airbags laterais do Yaris tailandês, que é o modelo vendido em maior número de mercados latino-americanos.
Após o anúncio do rebaixamento da nota do Yaris, a fabricante japonesa divulgou um comunicado no Brasil, onde fica a sede da empresa na América Latina, em que aceita o resultado e promete melhorar a segurança de seus carros.
“A segurança é sempre uma prioridade para a Toyota. Entendemos os novos critérios de avaliação do Latin NCAP e valorizamos sua contribuição para a indústria da região, o que nos ajuda a melhorar o desempenho de segurança de nossos veículos. O modelo Yaris comercializado na América Latina tem um número significativo de itens de segurança, desde as versões de entrada. Não obstante, continuaremos a trabalhar com firmeza para aumentar ainda mais o nível de segurança do nosso modelo, seguindo a filosofia de melhoria contínua que norteia a nossa marca”, diz a nota.
Suzuki Baleno tira nota zero

Na mesma etapa de divulgação de resultados, o Latin NCAP também apresentou a avaliação de outro hatch de fabricante japonês, o Suzuki Baleno produzido na Índia, que é vendido em alguns países latino-americanos, mas não no Brasil. O carro foi ainda pior: tirou nota zero.
O modelo compacto, equipado com dois airbags frontais de série, obteve 20,03% em Proteção de Ocupantes Adultos, 17,06% em Proteção de Ocupantes Crianças, 64,06% em Proteção de Pedestres e Usuários das Estradas e 6,98% em Sistemas de Assistência à Segurança.
Segundo o Latin NCAP, o resultado de zero estrela é explicado por proteção lateral fraca, pontuação de chicotada cervical baixa (devido à falta de teste UN32 para teste de impacto traseiro), ausência de airbags de proteção lateral de cabeça (cortina) e do controle de estabilidade (ESC) como equipamentos padrão, além da decisão da Suzuki de não recomendar o Sistema de Retenção Infantil (SRI) para crianças. O Baleno era vendido na Europa com seis airbags e ESC de série em todas as versões. Segundo a entidade, a Suzuki recusou-se a avaliar os equipamentos opcionais para mostrar seu desempenho.