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Giovanna Riato, AB
O especialista da universidade norte-americana de Northwood, Timothy Gilbert, contou no Congresso Fenabrave, que abriu as portas na quarta-feira, 23, a experiência dos distribuidores de veículos dos Estados Unidos durante a crise financeira internacional de 2008. Apesar das dificuldades, o executivo destacou que o período deixou lições importantes para os distribuidores de veículos.
Gilbert lembrou que a crise chegou de forma completamente inesperada e fez as vendas de veículos desacelerarem 40% no ano em relação aos volumes registrados em 2005, ultimo ano de alta nos emplacamentos no país. “Ninguém estava preparado para esta situação. Não houve nenhuma crise moderna similar a esta”, destaca. O primeiro impacto foi o aumento do desemprego, que chegou a 10% e hoje está em 8%, ainda o dobro do índice de ante da crise. A retração causou também queda da confiança do consumidor, que parou de comprar imediatamente.
Outro fator que reforçou o mau momento das revendas foi a situação critica das montadoras, que reduziram a produção e precisaram de ajuda do governo para manter as atividades. Com isso, o corte no numero de concessionárias foi inevitável. “Muitos saíram do mercado”, lembra. Os problemas evidenciaram as fraquezas do setor. “Os veículos novos nos davam prejuízo e a venda de usados também estacionou”, aponta.
Gilbert avalia que os distribuidores poderiam ter mantido um volume razoável de negócios caso as revendas oferecessem carros com preços menores, modelos mais antigos ou marcas menos tradicionais. A surpresa positiva ficou por conta da procura por serviços e autopeças. “Como os clientes não podiam trocar o automóvel por um mais novo, a necessidade de manutenção cresceu”, conta.
Lições da crise
Para o especialista, a situação deixou claro que é necessário buscar novas oportunidades em períodos de recessão. “Manter o cliente por perto vai garantir que ele volte para comprar um carro novo quando a situação melhorar”, acredita. Outra prioridade em um cenário incerto é cortar custos e enxugar a operação ao máximo. O momento é ideal para rever o números de funcionários, negociar salários e gastos com telefone, sistemas e segurança.
Gilbert defende ainda que o mais importante é agir rápido. É preciso tomar decisões assim que o cenário mudar para evitar que as coisas piorem. “Após alguns meses sem lucratividade, fica mais difícil promover mudanças”, alerta. O especialista encerrou a apresentação no evento com um conselho importante para os concessionários brasileiros: organizar uma reserva financeira. “Se o empresário poupar na época em que o mercado estiver aquecido, o susto não será tão grande se as vendas desacelerarem e ele terá mais flexibilidade para reagir”, avalia.
