Este artigo é parte do especial Liderança do Setor Automotivo, que traz as principais conclusões da
pesquisa e os comentários de grandes profissionais do segmento.
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conteúdos sobre o tema.
Obviamente, o impacto da Covid-19 lança uma grande sombra sobre o setor.
No início de 2020, a indústria automobilística já estava em um período de transformação, com líderes reconhecendo a
imprevisibilidade do momento. A chegada da Covid-19 transformou um ambiente já incerto em uma crise ainda maior.
Hoje, o setor está em estado de paralisia: a produção de novos veículos foi interrompida e muitas fábricas foram
fechadas, com contratos de trabalho suspensos e férias coletivas. As vendas caíram drasticamente e todas as
previsões
estão sendo revistas para um cenário abaixo do esperado.
Qualquer que seja o cenário que emerja como realidade após o isolamento social, será pautado em cima de um novo
insight
comportamental: a Covid-19 interrompeu nossa relação com a mobilidade e com as viagens de modo geral.
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A NECESSIDADE DE LÍDERES TRANSFORMADORES |
Em tempos desafiadores, o setor requer líderes que estejam aptos a gerenciar a crise e a garantir continuidade.
Ainda mais importante é a presença de líderes que tenham uma visão coerente para a indústria a longo-prazo e que
guiem a transformação para esta nova visão.
Assim como ocorre na economia e na sociedade em geral, a Covid-19 está machucando muito o setor automotivo. Contudo,
ela traz uma incrível oportunidade de repensar as práticas de negócios e reinventar o setor para melhor.
Abaixo, compartilhamos quatro insights do estudo considerados pontos críticos para líderes, à medida que enfrentam o
desafio da Covid-19 e promovem atividades transformadoras:
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Quando os entrevistados são solicitados a classificar os mais importantes desafios de liderança, as respostas mais
comuns são “aumentar a lucratividade” (45%) e “aumentar a competitividade” (45%). Esses imperativos básicos de
negócio permanecem profundamente relevantes para os líderes do setor.
No entanto, a terceira resposta mais comum é “desenvolver novos modelos de negócio e fontes de receita” (36%), o que
evidencia a importância de inovar neste setor. Além disso, 68% dos líderes reconhecem a inovação como prioridade
máxima, colocando-a acima da transformação digital (52%), do impacto socioambiental (46%) e do desenvolvimento de
liderança (43%).
Adotar o Mindset do
Inovador é fundamental para qualquer empresa neste momento de rápida evolução. É importante ir
além da compreensão de inovação como sendo uma atividade focada em aproveitar novas oportunidades e crescimento. É
muito mais que isso.
Devemos entender o aspecto adaptativo e evolutivo da inovação. Quando o mundo externo está mudando, nós também somos
forçados a mudar.
Inovação é uma resposta necessária ao risco.
Nós inovamos para sobreviver.
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#2 PROPÓSITO IMPULSIONA AGILIDADE E TRANSFORMAÇÃO |
A boa notícia é que propósito está em alta no setor automotivo.
37% dos entrevistados trabalham em organizações com um propósito claramente definido e implementado que norteia a
estratégia e as atividades diárias da empresa. Mesmo que a maioria das empresas não seja impulsionada por propósito,
houve um aumento significativo entre os dados deste ano e o estudo da Automotive Business de 2018, onde apenas 6%
dos líderes foram capazes de definir o propósito de suas empresas.
Mais uma vez podemos ver o poder do curto-prazismo: a maior barreira para o desenvolvimento e a ativação do
propósito de uma organização é o “foco em resultados imediatos” (38%).
As empresas impulsionadas por propósito na indústria automobilística receberão os benefícios dessa abordagem durante
este período desafiador. Em momentos de crise, o propósito traz clareza para as estratégias adotadas e para as
decisões tomadas, além de melhorar a agilidade na medida em que líderes tomam decisões melhores e mais rápidas.
Uma pesquisa da Harvard Business Review também mostra os benefícios do
propósito para apoiar atividades de transformação. Além disso, os funcionários estão mais dispostos a se alinharem à
organização e se sentem mais motivados quando a empresa tem um propósito e uma direção estratégica clara.
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#3 LIDERE COM EMPATIA |
No estudo, a empatia é considerada a característica mais importante para uma boa liderança. Apesar da importância do
líder sempre mostrar empatia, isso se torna fundamental em momentos de crise.
À medida que as demandas do mercado mudam e novas necessidades emergem, as empresas que oferecerem respostas
empáticas e autênticas a essas mudanças construirão conexões emocionais mais duradouras com seus clientes,
fornecedores e demais parceiros. Nesse ponto, parece haver uma base sólida para a indústria automobilística
encontrar o seu caminho, uma vez que 75% dos entrevistados trabalham em empresas que valorizam relações mutuamente
positivas e constroem parcerias de “ganha-ganha”.
Entretanto, como mostra o modelo de liderança Radical Candor (Empatia Assertiva), as capacidades do líder em desenvolver
empatia e importar-se com as pessoas devem ser combinadas com a habilidade de desafiá-las. A crise é um momento para
os líderes reforçarem suas conexões com os outros (“respeito” e “escuta” são a segunda e a terceira características
mais importantes, respectivamente), combinando isso com abertura e franqueza.
39% dos líderes do setor têm o perfil de liderança “Radical Candor”, que combina importar-se pessoalmente e desafiar
diretamente seus liderados. Esses líderes serão necessários durante este período turbulento, de modo a cuidar dos
outros e, ao mesmo tempo, tomar decisões difíceis e necessárias para garantir o bem-estar de suas organizações a
longo prazo.
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#4 ENVOLVA A CULTURA |
O estudo também mede o eNPS na indústria automobilística. A sigla eNPS significa Net Promoter Score, uma ferramenta
usada para medir a lealdade dos funcionários com base na probabilidade de eles recomendarem a sua organização como
um bom lugar para trabalhar.
Um eNPS geral de 39 (com 48% de Promotores e 9% de Detratores) nos mostra que muitos líderes do setor têm uma visão
positiva de sua própria organização e acreditam que ela seja um bom lugar para trabalhar.
Contudo, apenas 4% dos líderes consideram “Fortalecer a Cultura” como alta prioridade, um motivo de certa
preocupação.
Como o impacto da Covid-19 impõe pressões financeiras cada vez maiores às empresas, há uma reação lógica para
reduzir os custos operacionais. Embora cada caso seja único, todas as organizações devem pensar cuidadosamente a
respeito dos efeitos a longo prazo para a cultura da empresa por conta de quaisquer reduções de custos feitas para
mitigar a crise. As decisões tomadas hoje podem gerar implicações para a cultura organizacional nos próximos anos.
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Ninguém sabe como serão as próximas fases da crise da Covid-19 e suas implicações para o futuro da indústria
automotiva brasileira. Talvez estejamos iniciando uma desaceleração prolongada. Talvez a recuperação rápida no
formato V aconteça, ou veremos uma recuperação mais lenta em forma de U.
Mas do que podemos ter certeza é que as organizações que realmente conseguirem gerenciar este momento, farão isso
graças a líderes e culturas fortes.
A cultura da organização — seu conjunto de crenças, valores e comportamentos — é um elemento vital para garantir uma
força de trabalho engajada, produtiva e colaborativa. A cultura cria condições para sobreviver e prosperar nesse
novo contexto desafiador.
É responsabilidade dos líderes do setor enxergar isso e agir de acordo com o que é demandado: liderar pelo exemplo
nesse momento de intensa transformação e oferecer suas melhores versões, a serviço de suas empresas, da indústria e
da sociedade como um todo.
*Tom Moore é sócio da Mandalah, consultoria brasileira de inovação consciente com atuação
global.