
|
|||||||||||||||||||||||||||
Marcelo de Paula, AB
O 19º Congresso SAE Brasil foi encerrado com o painel “Presidentes”, que reuniu líderes da cadeia automotiva para debater o tema “Equações para a indústria automotiva brasileira avançar no cenário mundial”, durante o qual foram discutidas questões referentes ao custo Brasil, falta de mão de obra e a contribuição dos biocombustíveis para o desenvolvimento tecnológico do País.
Participaram do painel, mediado por Paulo Braga, editor de Automotive Business, os presidentes da Anfavea, Cledorvino Belini, da Man Latin America, Antonio Roberto Cortes, da Mercedes-Benz do Brasil, Jurgen Ziegler, da SAE Internacional, Andrew Brown Jr., e o CEO da Chery Brasil, Luis Curi.
Embora o Brasil seja um país totalmente estruturado para o uso de etanol e motores flex, o que já é uma vantagem no que diz respeito à necessidade de reduzir emissões, existe a preocupação de que justamente essa vantagem possa significar atraso no domínio de outras tecnologias que estão surgindo como a dos motores elétricos e híbridos.
Para Andrew Brown, os brasileiros não devem se preocupar tanto com isso, pois o domínio da tecnologia de combustíveis alternativos é uma competência desenvolvida aqui e que dá solidez à indústria local. “Não se sintam constrangidos por terem desenvolvido tal competência. Ela dá suporte para que a indústria local possa desenvolver outras tecnologias. É importante saber aproveitar a vantagem dos combustíveis alternativos”, disse.
O custo Brasil também teve espaço na discussão. Cledorvino Belini lembrou que a questão passa por impostos altos, câmbio desfavorável e infraestrutura inadequada. “O aço daqui é 40% mais caro que o asiático e se a gente precisar enviar automóveis para Belém, tem de fazê-lo por meio de caminhão, o que encarece demais, pois o caminhão vai cheio e retorna vazio”.
Essa questão de custo e infraestrutura se junta à falta de mão de obra especializada. Enquanto o Brasil forma pouco mais de 30 mil engenheiros por ano, a Índia coloca no mercado cerca de 500 mil. Nesse caso, houve consenso de que a solução passa por políticas públicas, mas também por ações das empresas. “Não é só uma questão de governo., mas também de saber como a indústria pode ajudar a cuidar disso.”, comentou Jurgen Ziegler.
Antonio Cortes comentou que a Man, instalada em Resende, no Rio de Janeiro, não chegou a ter problemas de mão de obra porque o estado possui boas universidades, mas não tem muitas empresas para absorver mão de obra. “É interessante, mas a situação muda conforme a região. Há lugares onde a demanda por mão de obra é maior e acaba faltando. Felizmente não tivemos esse problema”.
Luis Curi, ao contrário, sente dificuldades para encontrar engenheiros para trabalharem na planta a ser instalada no município de Jacareí, em São Paulo. Sentimos dificuldades e não dá para trazer muita gente de fora porque a legislação brasileira limita bastante”, comentou.
Com relação à fábrica da Chery, Curi reforçou que a empresa manterá no Brasil um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento e que a ideia é iniciar as operações com 3% de participação no mercado. A montadora iniciará em 2013 produzindo 50 mil unidades e em 2015 pretende chegar a 170 mil. No primeiro ano os carros da Chery terão 40% de nacionalização devendo chegar a 65% em três anos.
Foto: Ruy Hizatugo.