
A fábrica uruguaia da Lifan, em San José, parou novamente e enviou 125 trabalhadores para o seguro-desemprego. A interrupção deve durar quatro meses. Entre os motivos está o fraco desempenho de mercado do utilitário esportivo X60. De 2017 para 2018 sua média mensal de vendas caiu de 189 para 175,4 unidades, mesmo tendo ganho opção automática CVT e passado por uma pequena reestilização.
Outro motivo seria a alta do dólar, que fez com que a montadora chinesa suspendesse o envio de componentes para o Uruguai, segundo o sindicato local dos trabalhadores. Nos últimos dois meses, antes de interromper a produção, a empresa montou um lote de 320 unidades do X80, novo SUV de sete lugares que começa a ser vendido por R$ 129.777 (leia
aqui).
“Dependendo do que for definido pelo Rota 2030, é possível que a Lifan passe a trazer os carros direto da China para cá”, admite o presidente da empresa no Brasil, Johnny Fang.
Em tese este seria o fim da unidade de San José, já que o Brasil é o único mercado de exportação da unidade. A Lifan nega o fechamento definitivo, alegando a possibilidade de exportar para a Argentina e até mesmo para o México.
Os planos para o X70 (prometido para este ano, veja aqui) foram adiados: “Com o dólar no valor atual é inviável trazer o carro”, diz o presidente da Lifan do Brasil. Sobre a queda de vendas do X60, ele afirma: “Ele ficou defasado porque começou a ser produzido em 2013 e o segmento de SUVs recebeu vários novos modelos com preços bastante agressivos.” Segundo a Lifan, há 600 unidades em estoque do X60, suficientes para mais de três meses de vendas.
A fábrica de San José foi erguida pela Effa Motors em abril de 2010 com um investimento de US$ 6,5 milhões, para produzir o sedã médio LF 620 e o hatch LF 320, polêmico por sua semelhança com o Mini. A montagem dos dois foi interrompida no início da década e a planta foi incorporada pela própria Lifan há cerca de cinco anos, quando começou a produzir o X60.
A produção na unidade ocorre em regime SDK, sigla em inglês para a fabricação a partir de kits semidesmontados. As carrocerias vêm da China armadas e com todas as peças já pintadas. Em 2014 a Lifan passou a montar ali também a picape Foison e o sedã pequeno LF 530.
Em março de 2016 a Lifan suspendeu a produção em decorrência da crise no mercado brasileiro e só voltou à atividade em maio de 2017. Tanto a Foison como o LF 530 acabaram saindo de linha. Este parece o destino mais provável também para o X60.