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Redação AB
A Fenaloc (Federação Nacional das Locadoras de Veículos), por meio de nota enviada a Automotive Business na noite da sexta-feira, 9, contesta as declarações de Sérgio Reze, presidente da associação nacional dos concessionários, a Fenabrave, que uma semana antes disse que as locadoras atualmente compram 30% de veículos novos vendidos no País. “Elas compram com grandes descontos, que podem chegar a 35%, e depois revendem esses carros com menos de um ano de uso, competindo diretamente com as concessionárias. Eu não sou contra as locadoras, mas quero ter as mesmas condições. As montadoras deveriam dar esses descontos também aos clientes que vão comprar nas concessionárias”, disse o dirigente. (leia mais aqui)
Em nota, o presidente da Fenaloc, José Adriano Donzelli, contesta o presidente da Fenabrave. “A atividade das Empresas Locadoras de Automóveis no Brasil é a de locar automóveis. O negócio do setor é o de alugar carros – e não o de comprar e vender automóveis. Isso significa que a renovação de frota se dá apenas como a necessária desmobilização de ativos, pois no ramo ter produtos sempre novos à disposição dos clientes é uma necessidade, não uma escolha, em função das exigências dos próprios clientes”, afirma.
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A Fenaloc nega que as locadoras representam 30% das compras de carros novos no País, citando o anuário 2011 da Abla (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis). “Os dados apurados e publicados no anuário demonstram que as compras do setor giram em torno de 10% de tudo aquilo que as montadoras fabricam, importam e vendem no Brasil. Assim, não se sustenta qualquer afirmação, como as da Fenabrave, de que o setor de locação está adquirindo mais de 30% dos automóveis no Brasil, por meio do sistema de faturamento direto das montadoras e importadoras”, escreveu o presidente da Fenaloc.
Donzelli também garante que as locadoras não revendem carros recém-comprados diretamente dos fabricantes: “Para efeito de renovação da frota existe um consenso de mercado de que o prazo mínimo para a venda do automóvel adquirido pela locadora não pode ser inferior a seis meses. Porém, a prática demonstra que os automóveis permanecem nas locadoras em torno de 16 meses, conforme números apurados nos últimos Censos Anuais da Abla. Passado o período de 16 meses, a grande maioria das locadoras trabalha com as concessionárias, com leiloeiros e com outras formas de desmobilização de seus ativos”, explica o dirigente – ele no entanto não cita as lojas próprias de locadoras, que revendem carros seminovos.
Desmobilização sem impacto
O que o dirigente chama de “desmobilização de ativos” é um eufemismo para venda de veículos usados, o principal ativo de qualquer locadora. Donzelli defende que tais operações “passam ao largo de causar impacto” nos negócios das montadoras. Para comprovar a afirmação ele faz a seguinte conta: “O mercado de automóveis novos no Brasil está em torno de 3,5 milhões de unidades/ano; o de usados, em torno de 8 milhões. Temos assim um mercado total com aproximadamente 11,5 milhões de automóveis (negociados por ano). Isso significa que, mesmo se o setor de locação vendesse todas a sua frota, em torno de 420 mil automóveis, tais vendas representariam algo em torno de 4% do mercado total brasileiro.”
“A verdade é que as vendas de um único setor, que representam menos de 3% do total de automóveis comercializados por ano no País, certamente não causam o impacto que alguns ainda insistem em tentar nos fazer crer”, afirma Donzelli, que ataca o presidente da Fenabrave e todos os veículos de comunicação que reproduziram suas afirmações: “Seja intencionalmente, ou mesmo por falta de maior competência, há aqueles que insistem em distorcer tais fatos, criando versões fantasiosas, que iludem somente a aqueles que querem se deixar enganar”, escreveu.
Boa relação
Na nota Donzelli também garante que as locadoras buscam manter uma boa relação com as concessionárias, “que no ano passado representou milhões de reais pagos a elas como comissões de vendas, pagos normalmente, independente do faturamento direto, além do faturamento gerado pela compra de peças e serviços”.
Em suas declarações da semana anterior, Reze, da Fenabrave, afirmou que as locadoras não compram das concessionárias porque jamais conseguiriam os descontos que obtêm direto com as montadoras, assim não pagam comissões de vendas. “Nas vendas diretas só recebemos a taxa de entrega, de 1% do valor do carro”, disse o presidente da Fenabrave.
“Tentar passar uma imagem que o setor de alguma forma prejudica as revendas é fruto de uma visão que não sobrevive a uma análise mais profunda e que em nada contribui para estreitar o relacionamento”, finalizou o presidente da Fenaloc.
Como a nota chegou à redação no começo da noite de sexta-feira, não houve como buscar uma réplica do presidente da Fenabrave, o que será feito nesta segunda-feira, 12.