
“Temos registrado uma participação cada vez maior a cada ano, chegando ao recorde de 2015. Em 2016, também deve subir por conta da nossa estimativa de manutenção do volume de compra diante de um volume menor de produção total de veículos”, afirma Paulo Miguel Jr., conselheiro nacional da Abla, durante a apresentação dos resultados do setor em São Paulo.
O faturamento do setor fechou o ano passado em R$ 16,2 bilhões, crescimento de 10,5% sobre o resultado de 2014, quando as locadoras faturaram R$ 14,7 bilhões. Deste total, 56% foram gerados pelo serviço de locação direta (terceirização de veículos). Já o segmento denominado de turismo de negócios reduziu sua participação de 25% para 21% em um ano, reflexo do movimento de contenção de custos das empresas, enquanto o de turismo de lazer aumentou de 18% para 23%, compensando em parte a perda do item anterior.
Entre as faixas de participação no faturamento anual, um terço das empresas de locação no Brasil tem receita entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões, enquanto 48% faturam até R$ 1 milhão, sendo que este último grupo detém a maior parte da frota, cerca de 20%. “
Durante a apresentação, o diretor comercial, Jorge Pontual, disse que apesar do bom resultado, o faturamento foi afetado em partes pela perda de contratos com os setores de construção civil, óleo e gás, além da redução de custos de empresas que deixaram de contratar em parte ou totalmente o serviço de aluguel de carros para seus representantes.
“Por outro lado, algumas empresas que tinham frota própria terceirizaram ou venderam seus veículos buscando capital de giro”, comenta Pontual.
No geral, as locadoras atenderam cerca de 26,8 milhões de usuários em 2015 contra os 25,9 milhões um ano antes. O número de empresas subiu de 5.624 em 2014 para 7.455 em 2015, elevando também os pontos de locação, de 7.348 para 8.626 unidades. Vale lembrar que a mesma empresa pode ter mais de um ponto de venda.
Os impostos gerados pelo setor diminuíram de R$ 5,84 bilhões em 2014 para R$ 5,31 bilhões em 2015, enquanto o número de empregados aumentou de 450,9 mil para 472,21 mil em um ano.
CRÉDITO ESCASSO
Embora o resultado global do setor seja positivo, a Abla relata que ainda há dificuldade em obter crédito para a renovação da frota, cuja idade média atingiu o patamar de 19,5 meses em 2015 contra a média de 18 meses do ano anterior.
“O ideal é manter uma frota de com idade média de 15 meses e é para este resultado que gostaríamos de caminhar por meio das nossas parcerias estratégicas e trabalho junto aos bancos”, ressalta Pontual.
O executivo acrescenta que a restrição de crédito é sentida tanto na compra pelas locadoras quanto na revenda da frota usada, uma vez que o consumidor final interessado em financiar também está encontrado mais barreiras para obtenção de recursos. Apesar disso, o conselheiro Miguel Jr. informa que as associadas estão cada vez mais engajadas em divulgar o serviço a fim de
A frota circulante atual está em 853,2 mil veículos, entre automóveis e comerciais leves para passageiros. Este volume se compõe em 50% de veículos de entrada 1.0, 23% de compactos, 9% em caminhonetes e vans, 5% de veículos premium e 4% de veículos de luxo e outros 9% designados como outros.
AS PREFERIDAS
Em 2015, a FCA Fiat Chrysler Automobiles se manteve na liderança de vendas para o setor de locação, embora tenha perdido 2,5 pontos porcentuais de participação no período de um ano, passando de 18,9% para 16,4%. Esta parte da fatia foi pulverizada entre as demais marcas, com destaque para a Renault, que subiu da quarta para a segunda posição do ranking, com 11,9% desbancando Volkswagen, Ford e General Motors.
“A Renault avançou e tem oferecido um portfólio altamente competitivo o que a fez subir no ranking no último ano”, comenta Miguel Jr.
A VW perdeu 5,7 p.p., para 10,5%, caindo da segunda para a terceira colocação; por sua vez a Ford subiu da quinta para a quarta posição ao ganhar 4,7 p.p., para os atuais 7,9%. A GM (Chevrolet), que em 2014 figurou como a terceira marca preferida caiu para a quinta posição, ao perder 1,4 p.p., para 6,9%.
Como novidade, a Nissan aparece pela primeira vez no ranking, na sexta posição, ao encerrar 2015 com 2,1% de participação das vendas para locadoras em 2015. As seis marcas mencionadas representam 56% do total adquirido pelas associadas da Abla.