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Locadoras roubam vendas de concessionárias

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pedro

03 set 2011

5 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB

Ao apresentar o balanço de agosto, Sergio Reze, presidente da associação dos distribuidores de veículos, a Fenabrave, mostrou que o mercado continua crescendo, mas as concessionárias não. O setor sentiu o golpe do aumento das vendas às locadoras, que atualmente compram diretamente dos fabricantes quase um terço dos automóveis emplacados no País, com descontos que passam de 30%, e depois colocam esses carros à venda por preços baixos, “jogando o mercado e a rentabilidade das concessionárias para baixo”, reclamou o dirigente. “Não somos contra as locadoras, mas queremos que elas paguem pelos veículos o mesmo que nós pagamos, senão a concorrência fica desleal”, afirmou.

Reze explica que as vendas às locadoras, no nível que alcançaram, estão causando distorção na concorrência do mercado nacional de veículos: “Elas compram com grandes descontos, que chegam a 35%, e as montadoras que vendem recolhem impostos comerciais como IPI e ICMS sobre o valor da nota fiscal mais baixo, com o desconto. Depois, muitas vezes em menos de três meses, as locadoras colocam esses carros à venda com preços imbatíveis e mesmo assim ganham dinheiro, pois não pagam impostos. Como são consideradas prestadoras de serviço, não recolhem ICMS, só o imposto de renda sobre a diferença entre o preço de compra e o de venda”, revela. “Enquanto isso, nós como concessionários recolhemos todos os tributos sobre o preço público do veículo. Se vendermos com desconto ao cliente final, perdemos os tributos pagos a maior.”

Se as montadoras podem dar descontos tão grandes às locadoras, Reze pergunta: “Por que elas não vendem mais barato ao cliente que vai comprar na concessionária?” A resposta, segundo Reze, é porque os fabricantes precisam compensar no varejo tudo que deixam de ganhar nas negociações de atacado nas vendas diretas.

Em tese, pela legislação, as locadoras só podem vender seus veículos usados depois de um ano. “Mas ninguém fiscaliza isso”, acusa Reze. “Tem muito carro de locadora sendo vendido sem nunca ter sido alugado. Existem empresas sérias, mas também têm as de fachada, que compram como locadoras e vendem os veículos sem pagar imposto.” O dirigente disse que a Fenabrave já alertou sobre esse tipo de fraude o Confaz, que reúne as secretarias de fazenda estaduais.

Portfólio fora do mercado

Fica difícil entender por que as montadoras adotam esse tipo de relação comercial conflituosa, que prejudica os seus maiores compradores, os concessionários, pois ao encher a praça de carros baratos revendidos pelas locadoras, acabam provocando promoções generalizadas, que jogam para baixo os preços e a rentabilidade do negócio. Reze dá uma pista para responder a essa questão: “A maioria dos carros vendidos às locadoras é 1.0, justamente o segmento de mercado que está caindo constantemente, porque com o aumento da renda e do crédito no País os consumidores de zero-quilômetro buscam modelos mais potentes e bem equipados. Assim as montadoras podem estar desovando seus excedentes de 1.0 nas locadoras.”

A declaração sugere algo que está há bom tempo no ar: a inadequação do portfólio de produtos à realidade atual do poder de compra do consumidor brasileiro, que cresceu, enquanto os fabricantes de veículos demoraram a perceber o fato e oferecer um mix mais competitivo. Comprova isso o fato de que 64% dos segmentos de automóveis e comerciais leves à venda no Brasil, justamente os mais populares, estão perdendo mercado, enquanto 36% estão avançando.

Com o portfólio e preços fora do lugar, perdem-se vendas para os importados e quem sofre mais são os concessionários dos quatro maiores e mais tradicionais fabricantes (Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford), também os maiores produtores de 1.0. “O problema é que elas pretendem sempre um número maior do que o mercado pode absorver”, diz Reze. O resultado prático é que, sob a pressão do cumprimento de cotas, os estoques estão crescendo. As concessionárias têm hoje carros suficientes em seus pátios para 40 dias, contra 35 em julho e 25 no começo do ano. “Isso acontece porque não há equilíbrio entre oferta e procura. É uma situação difícil. O nível confortável de estoque não deve passar de 20 a 22 dias”, alerta.

Rentabilidade drenada

Pelas indicações de Reze, a situação caminha para algo além do “difícil”. Se as locadoras já são mais de 30% do mercado de veículos novos no País e o crescimento das vendas neste ano, até agosto, foi de 8%, isso significa que no varejo oi cenário já é de queda nas vendas. Ou seja, o número final do mercado é positivo, mas na maioria das revendas está no negativo.

Reze levanta ainda outro problema do aumento indiscriminado das vendas às locadoras e destas para os consumidores. “Se qualquer um desses carros der problema na garantia, ele vem parar na concessionária, que tem de resolver o problema sem ganhar nada com isso”, reclama. Ele diz que nas vendas diretas das montadoras os concessionários só ganham a “taxa de entrega” dos veículos, equivalente a 1% do valor de cada unidade.

Assim a rentabilidade está sendo drenada por todos os lados: na concorrência com os preços baixos das locadoras, na garantia não remunerada e nos estoques altos, que crescem com produtos desinteressantes empurrados em cotas às concessionárias. Com isso, Reze admite que as margens, que já eram apertadas, estão desaparecendo.

Assista à entrevista exclusiva de Sergio Reze à Automotive Business WebTV, em que o presidente da Fenabrave explica como as locadoras estão concorrendo com as concessionárias: