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Paulo Ricardo Braga, AB
De Curitiba
Vem aí um concorrente importante para a Amyris na área de biotecnologia voltada para a produção de biocombustíveis. A californiana LS9 está chegando formalmente ao Brasil e já tem sede administrativa no Morumbi, em São Paulo (SP), onde o diretor Michael Rinelli (foto) traça planos para a operação no País. Enquanto busca parceiros interessados na aplicação de suas tecnologias, ele avança com o projeto para a instalação de uma unidade de pesquisa e desenvolvimento em Piracicaba, no interior de São Paulo.
O objetivo da empresa é estabelecer joint ventures para a produção de biodiesel de cana, o UltraClean Diesel (concorrente do combustível farnesano da Amyris, batizado pela empresa de diesel de cana, expressão registrada como marca própria), possivelmente em dois anos. “Nossos estudos demonstram que nosso produto é competitivo com equivalentes fósseis até o preço de US$ 45 para o barril de petróleo”, aposta Rinelli.
Americano, ele morou em Porto Alegre (RS), onde fez administração de empresas na Universidade Federal; depois estudou relações internacionais na Universidade de Utah e fez cursos de especialização em marketing e gestão na John Hopkins University. Trabalhou na embaixada brasileira em Washington, antes de se juntar à Hart Energy, consultoria na área de energia.
Na Hart, entusiasmado com a inovação prometida pela LS9, resolveu dedicar-se à empresa de biotecnologia que utiliza bactérias E.coli para secretar o biodiesel de cana, além de especialidades para a indústria química, como bases para shampoos produzidos pela Procter Gamble na linha verde.
O próximo desafio, após a constituição da LS9 Brasil Biotecnologia, é encontrar empresas interessadas em apostar no negócio. Caberia aí, por exemplo, uma usina de etanol, que teria disponível o caldo de cana para processamento, utilizando a E.coli, que ingere açúcar e produz gordura. “O processo é constituído de uma etapa única, dispensando outras etapas na industrialização. O produto final estará pronto após a tarefa das bactérias”, explica. Nos Estados Unidos a empresa mantém parceria com a Chevron para o desenvolvimento de hidrocarbonetos automotivos.
No Brasil, Rinelli promoveu aproximação com a MAN, que deve começar a testar o UltraClean Diesel, em misturas com diesel e também a 100%. “O principal resultado será uma redução de emissões em relação a outros combustíveis, considerando o ciclo completo de produção, da cultura da cana à queima”, assegura o executivo, que concedeu entrevista a Automotive Business durante o Fórum Diesel, promovido pela SAE Brasil em Curitiba (PR), nesta terça-feira, 30.