
As restrições impostas por uma legislação ambiental mais severa criam também novos desafios para os fabricantes e pesquisadores, uma vez que desempenho e eficiência não são mais apenas exigência do consumidos, mas uma necessidade. O menor consumo de combustível exigido pelo Inovar-Auto é o ponto de partida para tudo isso. Nesse sentido, explica Simone Hashizume, diretora de lubrificantes da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, há um longo caminho a ser percorrido. “Para atingir essas metas até 2017 as empresas terão obrigatoriamente de investir em tecnologias mais modernas de produção, o que passa pelo desenvolvimento de motores mais eficientes, menos poluentes e componentes mais leves.”
Edmilson Santos, da Castrol, engrossa o coro no que diz respeito a mudanças para atender aos novos patamares de emissões: “As tecnologias empregadas nos motores, lubrificantes e demais componentes terão de ser repensadas, com o uso de materiais mais leves, diferentes configurações e, acima de tudo, aperfeiçoamento do sistema de injeção, buscando maior eficiência”. No mercado de lubrificantes, ele acrescenta: “As empresas que possuírem as tecnologias mais avançadas, de bases sintéticas especiais e maior poder lubrificante, menor viscosidade e tecnologia de aditivos mais moderna poderão auxiliar em muito neste ganho de eficiência, com a garantia de proteção aos componentes.”
TECNOLOGIA
Apesar de os lubrificantes terem contribuição sutil na redução de consumo, tudo conta no justíssimo cômputo final. “Pequenas melhorias geram benefícios importantes, ainda mais em grandes frotas, como é o caso do Brasil”, acrescenta Hashizume. Com isso, cresce a necessidade de aproveitar melhor o espaço nos veículos e qualquer redução em componentes é muito bem-vinda – como é o caso dos reservatórios, menores e que, portanto, demandam lubrificantes mais resistentes, com longa vida útil.
Exemplo prático é a tendência de downsizing que vem sendo adotada pela indústria automobilística, visando a obter alto desempenho com motores de tamanho reduzido, mais econômicos e menos poluentes, o que implica também maior capacidade dos lubrificantes de resistir a altíssimas temperaturas.
A viscosidade dos óleos motores, como já destacou Edmilson Santos, é a primeira e principal característica a sofrer o impacto das tecnologias mais limpas: quanto menor ela for, menores serão também o atrito e as perdas energéticas. Os sistemas de pós-tratamento de emissões demandam, por seu turno, menos volatilidade, de modo a sofrer menor impacto. Até aí já são dois fatores a serem considerados em uma enorme equação, em que o equilíbrio é o objeto de desejo de toda uma cadeia de componentes e, claro, de seus respectivos fabricantes.
De olho nesta oportunidade que se delineia no mercado brasileiro, a Castrol lançou recentemente o Elixon 5W30, óleo multiviscoso, 100% sintético, que promete reduzir o consumo de combustível e ampliar o intervalo de troca de lubrificante. Na mesma toada veio a Texaco, com seus novos óleos Havoline API SN com escudo protetor, e opções de sintético 5W-30 e semissintético 5W-20, com benefícios muito semelhantes: maior economia de combustível e robustez do produto, proporcionando maiores intervalos de troca e menor índice de emissões.
Simone Hashizume sintetiza: “Formular um bom lubrificante depende diretamente do uso de óleos básicos e aditivos de ponta, que atendam às tecnologias mais modernas antes mesmo de estas estarem no mercado. Por isso, nos mantemos em sintonia com a indústria de veículos, com pesquisas em melhorias de processos e tecnologias das matérias-primas, em busca de formulações mais leves, seguras e com menor índice de emissões e de consumo de combustível, antes e durante o processo de desenvolvimento de um novo lubrificante.” Estima-se que sejam gastos, em média, quatro anos para se desenvolver um óleo lubrificante para um motor específico.