“A transformação é acelerada. O lucro da cadeia automotiva está mudando de mãos, indo para companhias como Waymo e Uber. A indústria precisa entender como se beneficiar disso, em que momento vai conseguir se apropriar e gerar receitas em algum novo negócio”, destaca. |
De uma lado, as empresas do setor investem em ativos fixos e em pesquisa e desenvolvimento. De outro, startups de mobilidade e tecnologia recebem generosos aportes de investidores para desenvolver software e escalar seus negócios. “É investimento para queimar dinheiro”, diz Custódio, lembrando que boa parte destas organizações ainda não atingiram equilíbrio financeiro. A Uber, por exemplo, apesar de apresentar consecutivos balanços no vermelho, capitou US$ 11 bilhões em aportes. A chinesa Didi, que comprou a brasileira 99, recebeu US$ 15,7 bilhões. “Na China o movimento á mais acelerado”, diz.
Custódio entende que, depois de algum tempo sem entender este movimento, as empresas automotivas começaram a investir nestas novas companhias para ter alguma participação na transformação. “Agora as próprias montadoras começam a criar divisões de mobilidade, que é o setor que recebe uma avalanche de investimentos”, diz, citando o exemplo da Daimler, que anunciou que vai separar suas operações .
A tendência é que o movimento se aprofunde, diz o consultor. “Em Cingapura, 10% da frota de veículos já são carros compartilhados ou de frotas de serviços de mobilidade”, diz.
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É PRECISO SIMPLIFICAR |
Ao lado da mobilidade, outro segmento que atrai forte fluxo de capital é o desenvolvimento de carros autônomos, projeto prioritário para todas as companhias que atuam no segmento. “Há grandes empresas envolvidas aí, incluindo as gigantes de tecnologia, como o Google”, lembra. A Roland Berger traça dois cenários para a tecnologia. O mais conservador indica que estes modelos terão participação de 8% nas vendas em 2030. Se a evolução for mais agressiva do que o esperado, a penetração pode chegar a 26% no mesmo ano”, aponta.
A recomendação que ele dá às empresas automotivas é encontrar novas maneiras de monetizar, criando receitas recorrentes. Custódio cita a possibilidade de usar dados dos clientes para oferecer novos modelos de venda ou pagamento pelo uso do carro, trabalhar a manutenção preditiva e serviços baseados na nuvem, tornando o automóvel o hardware que concentra diversas possibilidades de software.
“A tendência é que a venda de veículos seja menor no futuro, mas com margens maiores para as empresas envolvidas, que estarão concentradas em serviços.” |
Outra recomendação é que as empresas automotivas simplifiquem a própria atuação. “Não há necessidade de desenvolver todas as tecnologias envolvidas nos carros do futuro”, diz. Ele cita o exemplo da BMW, que decidiu diminuir drasticamente o uso de software customizados e aumentar o aproveitamento de soluções de prateleira, que não impactam a qualidade de seus serviços e são mais baratas.
