
“Apesar dos grandes desafios e o impacto negativo com a questão do diesel [dieselgate], o grupo Volkswagen permaneceu numa base financeira sólida”, afirmou em nota o CFO global da companhia, Frank Witter.
No relatório, o grupo revela que gastou neste ano o equivalente a € 2,62 bilhões em itens especiais, designação para fatores não recorrentes ou exclusivos no balanço financeiro, o que interfere diretamente no lucro. A maior parte deste custo se refere ao dieselgate: há um ano, quando a Volkswagen divulgava seu balanço até setembro de 2015, o escândalo da fraude de emissões já havia deflagrado, ocasião em que a montadora reservou € 6,85 bilhões iniciais para despesas relacionadas com a questão. Apesar disso, a liquidez da divisão automotiva chegou a € 31,1 bilhões em setembro comparada com os € 24,5 bilhões apurados no fim de 2015.
Entre as marcas, destacam-se a Volkswagen, que vendeu 3,2 milhões de automóveis durante os nove meses do ano em todo o mundo, representando queda de 3% sobre o volume de mesmo período do ano passado. A montadora divulgou o valor do lucro operacional sem o desconto de itens especiais, que foi de € 1,2 bilhão contra os € 2,2 bilhões de um ano antes, resultado atribuído primeiramente ao menor volume de vendas, mas também pelo efeito do mix de produtos, taxa de câmbio e com custos de marketing mais elevados dedicados a reverter a imagem de desconfiança da empresa com o dieselgate. Por outro lado, a redução de custos teve um efeito positivo.
A Audi teve aumento de 0,7% das vendas no comparativo anual, para 1,2 milhão de veículos. Segundo o relatório, no lucro operacional (sem o desconto de itens especiais) houve retração de 2,5%, para € 3,9 bilhões. A empresa destaca que a taxa de câmbio, bem como a expansão dos modelos e implementação de tecnologias na produção internacional teve um impacto negativo sobre os lucros.
Por sua vez, a Porsche elevou suas vendas em 5% no ano, para um total de 177 mil veículos em todo o mundo. O lucro operacional subiu 12,2%, para € 2,9 bilhões. Aqui, o aumento das vendas foi o principal atributo para o resultado, ao mesmo tempo em que compensou efeitos de taxa de câmbio.
A divisão de veículos comerciais registrou a venda de 342 mil unidades até setembro. A receita aumentou 6,7%, para € 8 bilhões, e o lucro operacional passou de € 79 milhões para € 392 milhões, como resultado de maiores volumes de vendas e efeitos de mix de produtos, além da política de aumento de preço dos produtos. Os resultados incluem as marcas de caminhões e ônibus Volkswagen, Scania e MAN.
Por fim, a divisão financeira reportou lucro operacional 11% maior que o do ano anterior, considerando os nove meses. O volume de financiamentos, contratos de leasing e serviços de seguro aumentou 14,6%, para 4,9 milhões. O número total de contratos foi de 15,8 milhões até o fim de setembro deste ano, superando em 7,8% o volume do ano anterior.