Na primeira metade do ano, a produção caiu 14,9%, para 13,8 mil unidades, impactada negativamente pela maior queda no segmento rodoviário, cuja entrega ficou 28% abaixo da primeira metade do ano passado, de 5 mil unidades para 3,6 mil neste ano. Segundo a Marcopolo, o desempenho negativo do segmento se deve às indefinições das linhas interestaduais e pelo menor volume de exportações para a Argentina.
O segmento de ônibus urbanos recuou com intensidade menor, 9,9% no período, passando de 8,9 mil para 8 mil unidades. No exterior, a produção subiu 3,8%, para pouco mais de 1 mil ônibus fabricados no semestre. A Marcopolo fechou o primeiro semestre com queda de 4,8 pontos porcentuais em sua participação de mercado no Brasil, encerrando o período com 35,5%, fatia que não inclui a Volare.
REVISÃO
Com o resultado apresentado, a fabricante revisou para baixo suas expectativas para o ano: o faturamento líquido ficou R$ 400 milhões abaixo do projetado anteriormente, de R$ 3,8 bilhões para R$ 3,4 bilhões, baseada na estimativa menor de vendas no Brasil e em outros mercados. A empresa também cortou os investimentos para R$ 130 milhões, antes previstos em R$ 160 milhões em 2014. No consolidado do ano, a Marcopolo espera a produção total de 19 mil veículos contra as 20,8 mil unidades entregues em 2013.
“Ainda que o terceiro trimestre já apresente sinais de melhora, com um mix maior de veículos pesados, é inegável que os desafios para a indústria persistirão pelo menos até o fim do ano”, informa em comunicado.
Entre as dificuldades apontadas em seu relatório financeiro, a Marcopolo enumera as indefinições das linhas interestaduais e as restrições nos repasses de tarifas dos ônibus urbanos em algumas cidades do País, que afetaram a demanda, e, por consequência, a performance da empresa no primeiro semestre.
Para o segmento de ônibus rodoviários, a sanção da Medida Provisória nº 638, que altera o regime de concessão das linhas interestaduais e internacionais para o modelo de autorização, e que ainda depende da regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pode apresentar um impacto positivo.
“A expectativa é que assim que a regulamentação for definida, mais empresas retomarão a renovação de suas frotas, especialmente em função de que regulamentação deverá abranger uma substantiva baixa da idade média dos veículos”, diz o comunicado. Já no segmento de urbanos, a fabricante informa que há melhoras em algumas cidades brasileiras.
Com relação às medidas de estímulo econômico, a empresa pondera que a manutenção do Reintegra e da vigência permanente da desoneração da folha contribuirão para melhorar a competitividade da indústria.
Para o programa Caminho da Escola, a Marcopolo se habilitou para produzir e fornecer até 4,1 mil ônibus, entretanto, coloca que as verbas disponíveis limitem em 50% a produção do lote previsto:
“A companhia segue na expectativa da confirmação por parte do governo da liberação de verbas adicionais para o programa até o final do ano.”