
“O setor deve acentuar as demissões a partir de junho, caso o ritmo das vendas e as incertezas no País persistam no período. Não há como manter os empregos com a queda constante das atividades e dificilmente os PPEs conseguirão evitar mais uma leva de demissões”, afirma.
Para a consultoria, o elo mais fragilizado da cadeia automotiva continua sendo as redes de concessionárias, que vem enfrentando dificuldades há pelo menos três anos e que em 2015 contabilizaram o fechamento de mais de 600 concessionárias, situação que, segundo Merluzzi, deverá se repetir neste ano, mas em volume um pouco menor.
Sobre o PIB, a MA8 projeta retração maior que 4% em 2016 caso os setores produtivos e o comércio não vislumbrem uma luz no horizonte na conjuntura econômica. A consultoria, que também atua na atração de investidores para o País, aponta que há preocupação generalizada com o cenário local por parte do capital estrangeiro:
“Não me lembro de uma situação semelhante, na qual investidores externos tenham puxado o freio-de-mão em um efeito manada. Afirmo que pouco tem a ver com a perda do grau de investimento, uma vez que o mercado potencial no Brasil é muito atrativo. Os movimentos externos continuam existindo, mas os recursos passaram a ser direcionados a outros países, anteriormente nem cogitados”, diz o executivo.
Por outro lado, o Merluzzi mantém o otimismo no agronegócio e aposta em uma recuperação para o setor de máquinas e implementos agrícolas, o qual deverá trazer algum alívio para o segmento de caminhões pesados.
“O agronegócio continua sendo literalmente a salvação da lavoura para o País e será dele que partirão os primeiros sinais de alento para o setor automotivo. A China voltará a crescer antes de 2018 e com ela crescerão os preços das commodities agrícolas e minerais, que juntas representam mais de 55% das nossas exportações. Continuamos otimistas com o Brasil e procuramos passar uma imagem positiva aos investidores externos. Notamos que muitos estão em compasso de espera e que, aos primeiros sinais de estabilidade política e econômica retornarão, pois, o Brasil é e continuará sendo a maior economia da região, com o mercado mais atrativo.”