

No dia 25 de junho, a Prefeitura da capital amapaense, Macapá, assinou o decreto que institui o primeiro sandbox tecnológico da cidade. Trata-se de um espaço delimitado dentro do município onde regras especiais são aplicadas para que se possam ser testadas tecnologias experimentais de grande impacto. Esses recursos científicos são o que caracteriza as smart cities, cidades conectadas e inteligentes que são a tendência para o futuro.
O sandbox faz parte do projeto de cidades inteligentes da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), que firmou parceria com a Prefeitura. Outras seis cidades do Brasil já contam com seus sandboxes: Petrolina (PE), Salvador (BA), Brasília (DF), Francisco Morato (SP), Londrina (PR) e Foz do Iguaçu (PR). “Sandbox é uma área livre de regulação para testes de tecnologias de cidades inteligentes”, explica Tiago Faierstein, gerente da Unidade de Novos Negócios da ABDI .
“Trata-se de uma área onde o município, primeiro, testa uma tecnologia, valida tecnicamente, valida com a população e, em caso de sucesso, a tecnologia pode ser replicada em todo o município”, diz ele.
Um sandbox é sempre delimitado por meio de um decreto. “Inovação e burocracia não andam juntas. Por isso, a necessidade de desregulamentar uma área menor, que pode ser uma rua ou um bairro, para permitir a realização de testes com menos erros. Delimitada pelo decreto, essa área passa a ser gerida por um comitê gestor, formado por governo, academia, setor privado e sociedade civil”, afirma Faierstein.
Fazem parte desse comitê, inclusive, os habitantes da região. A ideia com o sandbox de Macapá é realizar estudos em áreas como saúde, mobilidade e educação. Os primeiros testes já começaram e são relacionados ao trânsito: 36 semáforos inteligentes foram instalados em 12 cruzamentos da capital. Eles analisam continuamente o fluxo de pedestres e de automóveis e liberam a passagem de acordo com a demanda. Estudos mostram que esses semáforos podem diminuir em até 20% o tempo gasto nas viagens dos motoristas. O investimento total da ABDI nas ações de mobilidade é de R$ 5 milhões.
Também fazem parte do projeto um Living Lab (ambiente de demonstração de projetos inteligentes) e um Centro de Comando e Controle de Operações (CCO) que funciona na sede da Companhia de Trânsito e Transporte de Macapá (CTMac). Esse CCO serve para operar os semáforos inteligentes e também câmeras de segurança e outras tecnologias de monitoramento, como reconhecimento facial.
Mas isso é só o começo. Novas empresas devem aportar em Macapá em breve para fazer seus testes. “O município deve abrir um edital de chamamento público para atrair as empresas com soluções tecnológicas que se interessem em realizar testes de tecnologias de cidades inteligentes”, afirma Faierstein.