
Letícia acredita que o contexto macroeconômico, as definições do novo regime automotivo e a renegociação do acordo do Mercosul com a Argentina são os três fatorers que mais influenciarão o setor automotivo brasileiro em 2013.
A crise europeia e a desaceleração chinesa têm atingido o Brasil com crescimento do PIB abaixo do esperado: projeção de 1,9% este ano, contra a expectativa anterior de 3,3%. O novo regime automotivo, anunciado em abril, ainda tem de ser melhor regulamentado para deixar claras as regras de uso de conteúdo local. Por fim, a renegociação do acordo comercial de veículos do Mercosul, que deve ser realizada ainda em 2012, sofre com o impasse do governo protecionista argentino.
De acordo com a consultora, para 2012 não era esperado que a crise europeia teria tamanha dimensão e chegaria a ser considerada insustentável em países como a Espanha. Em paralelo, a economia americana cresceu abaixo do previsto até agora, influenciada pelo nível de desemprego em 8,3%. A China, por sua vez, ainda tem tido dificuldade de impulsionar seu PIB. E o Brasil anotou menos crescimento de consumo e de investimentos em contrapartida ao aumento da inadimplência.
“Diante deste cenário, a única certeza é de que teremos incertezas pela frente”, diz Letícia. Ela afirma que será imprescindível observar o desempenho do segundo semestre de 2012, em especial o do próximo trimestre, para tentar traçar o futuro do próximo ano. “É preciso planejar cenários, monitorar o crescimento da economia brasileira, estar atento aos passos da Argentina, que depende muito do Brasil, mas tem produzido abaixo do esperado, e pode mudar suas regras de uma hora para outra, além de acompanhar as definições do novo regime.”
Na opinião da sócia da Prada Assessoria, tanto o novo regime automotivo como o plano Brasil Maior não conseguirão atingir metas de longo prazo e tratam-se apenas de negociações entre as empresas do setor com o governo. Ela afirma: “Com o novo regime, poderemos ter gargalos no setor de autopeças e aumento de custos de produção, ao passo que faltará controle efetivo das regras estabelecidas e os players já estabelecidos no Brasil serão favorecidos.”
Atualmente, segundo Letícia, 15% do gasto global das mil maiores empresas públicas do mundo é feito em pesquisa e desenvolvimento. Toyota é a maior investidora do setor automotivo, com 3,9% do faturamento líquido destinado a P&D, seguida por General Motors (5,1%), Volkswagen (3,6%) e Honda (5,5%). No Brasil, porém, o plano Brasil Maior prevê investimento mínimo de 0,15% a 0,5% da receita em P&D, para concessão de um ponto porcentual de desconto de IPI. “O Brasil Maior e o novo regime significam, de fato, novos investimentos em pesquisa e desenvolvimento? Se eles não buscarem a competitividade e a produtividade, se tornarão estratégias de protecionismo e não de inovação, como deveriam ser”, conclui.
Assista à entrevista com Letícia Costa no Workshop