
Com o desinteresse da Fiat na última hora, a empresa com sede no Canadá e maior fornecedora de autopeças da América do Norte (US$ 11,4 bilhões em 2008), recebeu sinal verde do governo alemão, que supervisiona as negociações.
Não há detalhes sobre o acordo, mas especula-se que a Magna ficará com 20% de participação, a GM com 35% e os trabalhadores da Opel com 10%. Outros 35% caberiam a um consórcio reunindo o Sberbank e a própria Magna.
Junto com o banco russo, a Magna teria concordado em injetar € 700 milhões na operação da Opel. A empresa conta com recursos próprios, já que está capitalizada, e tem interesse em aproveitar a experiência da Opel para reforçar sua atuação no mercado russo.
O acordo final, que pode ser assinado dentro de pouco mais de um mês, depende de uma série de ajustes finos, já que estão envolvidos interesses dos governos norte-americano e alemão, da General Motors, sindicatos de trabalhadores e credores.
A Opel, que está sob controle da GM há cerca de 80 anos, depende de novos recursos para manter as portas abertas e espera receber € 1,5 bilhão como empréstimo do governo alemão.
Com sede em Ruesselsheim, ao lado de Frankfurt, a Opel integra as operações da General Motors na Europa, que empregam mais de 50 mil pessoas, com plantas na Bélgica, Polônia, Espanha e Inglaterra, onde os veículos são montados com a marca Vauxhall. Há também unidades para produção de motores e peças no continente.
Magna
A Magna é um dos maiores e mais diversificados fornecedores globais de componentes automotivos para automóveis e comerciais leves, com atuação na América do Norte, Europa, Ásia, África e América do Sul.
O fundador da empresa foi o austríaco Frank Stronach, que sempre manifestou a intenção de tornar a Magna uma montadora de veículos expressiva. Com a participação na Opel o sonho começa a se concretizar.
A empresa possui 240 operações de manufatura e está presente em 25 países com 86 unidades de desenvolvimento de produto, engenharia e vendas.
A Magna oferece também serviços de montagem de veículos completos para marcas como a Mercedes. Ela esteve presente na fábrica de Juiz de Fora, em Minas Gerais, que montava o Classe A.
No Brasil a empresa possui sede em Vinhedo, onde fica a divisão Magna Closures, que tem como gerente geral Agnaldo Cervone. A unidade fornece componentes para portas.
A Magna International teve no comando Mark Hogan, ex-presidente da GM do Brasil. Herbert Demel, que comandou a Volkswagen no Brasil, foi presidente da Magna Steyr antes de assumir em maio de 2007 o cargo de COO para veículos e powertrain na Magna International.
Volker Barth, que foi presidente da Delphi no Brasil, presidiu a Magna Intier Europe, onde atuou até a metade de 2007 para depois trabalhar como CEO da russa RM Systems, fornecedora ligada ao Grupo GAZ, principal fabricante de veículos comerciais no país, que também monta carros.
“A Rússia foi o país do BRIC mais afetado pela crise mundial e grande parte dos investimentos foi cancelada” – disse a Automotive Business o executivo, no final do ano passado.
Pouco entusiasmado com as operações automotivas na Russia, ele voltou ao Brasil, onde mantém a casa no Jardim Morumbi.
Fontes: BBC, Automotive News, Estadão, Forbes, website da Magna e Automotive Business.