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Magneti Marelli fechará fábrica em São Bernardo

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Redação AB

21 out 2011

4 minutos de leitura

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Agência Estado

A Magneti Marelli pretende fechar sua fábrica de camisas de cilindro em São Bernardo do Campo (SP) até o fim deste ano. Com 80% de sua produção voltada para clientes no exterior, a unidade só tem encomendas até o início de dezembro, e o resto das vendas são para mercado nacional de peças de reposição. A crise nos Estados Unidos, somada à valorização do real sobre o dólar, tornou a continuidade dos negócios “insustentável”, afirmou a companhia em comunicado.

“O Grupo Magneti Marelli informa que está desativando sua planta fabril de camisas de cilindro, localizada em São Bernardo do Campo, a partir de dezembro próximo”, confirmou a companhia, por meio de uma nota, à Agência Estado. As camisas são utilizadas entre o bloco e o pistão de motores.

Segundo a Magneti Marelli, em 2007, a produção de camisas de cilindro chegou a 1 milhão de peças. A crise de 2008 atingiu em cheio a fábrica e a fabricação caiu para 200 mil peças. “Com 80% de sua receita proveniente de exportações, os resultados da unidade foram seriamente afetados por volumes baixos. Conta também o fato de o real ter alta valorização diante do dólar, fato que fez o negócio chegar a níveis insustentáveis”, prossegue a nota.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Carlos Alberto Gonçalves, também funcionário da Magneti Marelli, a empresa não conseguiu renovar em setembro seu principal contrato, com a General Motors norte-americana. “O que produzimos hoje não tem mais viabilidade para o mercado de exportação”, admitiu o sindicalista. Segundo ele, é provável que a GM tenha firmado contrato com outro fornecedor por uma questão de custo. Com isso, há dois meses, a Magneti Marelli utiliza apenas 20% de sua capacidade de produção. Outro fator citado por Gonçalves é o fato de que boa parte dos motores atuais já é usinado e não utiliza mais a peça. No Brasil, a necessidade de uso das camisas de cilindro é pequena.

Demissões

Com mais de 30 anos de atividade, a unidade de São Bernardo já chegou a empregar 800 trabalhadores. Inaugurada em 1974, a fábrica pertencia à Villares e, em 1984, foi comprada pela Cofap. Em 1997, a Magneti Marelli a assumiu o controle da Cofap. Atualmente, a planta emprega 450 pessoas, em três turnos, que devem ser demitidas. “A empresa está em negociação com o sindicato com o objetivo de encontrar possíveis soluções para apoiar os colaboradores que serão demitidos devido ao encerramento das atividades da fábrica”, diz a nota.

Apreensivos, os trabalhadores fizeram uma assembleia na sexta-feira, 21. O sindicato promete lutar por novos investimentos que viabilizem a continuidade da fábrica. Segundo Gonçalves, se as camisas, atualmente feitas de ferro, fossem produzidas em aço, poderiam atender à indústria de equipamentos destinados à exploração do petróleo do pré-sal. Para isso, porém, a Magneti Marelli teria de modificar a estrutura da fábrica e substituir os fornos de fundição, o que demandaria grande volume de investimentos. O sindicato também sugeriu a possibilidade de a produção ser destinada à indústria de defesa. “Mas, infelizmente, não está descartada a possibilidade de que não se crie nenhuma viabilidade para a fábrica”, afirmou.

Esgotadas as alternativas, o sindicato pretende lutar para que os trabalhadores sejam transferidos para outras plantas da Magneti Marelli. A empresa se comprometeu com a estabilidade dos trabalhadores até 31 de dezembro. Apesar disso, o diretor do sindicato mantém o otimismo. “Em São Bernardo, a história nos mostra que sempre conseguimos reverter situações tão ou mais difíceis quanto a da Magneti Marelli”, afirmou, citando como exemplo negociações com a Volkswagen, Otis e Panex. “É possível construir uma alternativa. Não é uma fábrica isolada. Faz parte do Grupo Fiat, que tem condições de investir na empresa.”

A Magneti Marelli tem nove fábricas e 13 unidades produtivas em oito cidades brasileiras – além de São Bernardo, em Amparo (SP), Hortolândia (SP), Mauá (SP), Santo André (SP), Contagem (MG), Itaúna (MG) e Lavras (MG). “Os contratos vigentes até 2012 serão cumpridos”, informou a empresa.