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Mahle desenvolve componentes para motor global flex

A Mahle Metal Leve está em processo de desenvolvimento de componentes no Brasil para equipar um novo tipo de motor que a empresa vem denominando como global flex. O objetivo é reduzir drasticamente a ineficiência que os propulsores flex têm com relação aos demais que utilizam somente um tipo de combustível alcançando a melhor taxa de compressão – próxima ao equilíbrio – para que seja adequada para ambos.
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Redação AB

13 abr 2016

3 minutos de leitura

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O global flex vem sendo estudado há algum tempo pela equipe de engenheiros do Centro Tecnológico Mahle, localizado em Jundiaí (SP). Além disso, tem sido amplamente debatido pela Frente Inovar-Auto do Sindipeças, grupo do qual a Mahle faz parte e que tem feito profundas discussões técnicas sobre definições dos melhores caminhos a serem adotados e apontando esta como uma das soluções mais completas e importantes para a indústria nacional.

“A Mahle vem avaliando qual seria a melhor combinação tecnológica que levaria esse motor aos melhores resultados de eficiência e redução de emissões. Sem contar que o global flex também colocaria o Brasil em destaque como uma plataforma de fornecimento de engenharia. O motor daria a chance para a engenharia nacional se posicionar internacionalmente na liderança do desenvolvimento de soluções para a redução de CO2 em curto espaço de tempo, além de colaborar para ajudar a equilibrar a balança comercial com a redução da importação de gasolina”, aponta o gerente de inovação do centro tecnológico da Mahle, André Ferrarese.

DESAFIO TECNOLÓGICO

Um dos grandes entraves para um melhor rendimento dos atuais motores flex do mercado brasileiro é a taxa de compressão, em torno de 10 ou 11:1, que precisa estar a meio termo do que seria ideal para cada um dos combustíveis: em torno de 9:1 para a gasolina e perto de 14:1 para o etanol. Isso significa que os motores flex não são tão eficientes com nenhum dos dois combustíveis e muito menos com a mistura de ambos.

Com algumas tecnologias já existentes, como o turbo, a injeção direta e os comandos de válvulas variáveis se conseguiria um bom grau de melhora dos motores bicombustíveis. Com alimentação direta e com o turbo com comando eletrônico, por exemplo, já é possível obter uma melhora de até três pontos a mais na taxa de compressão. Isso significa que um motor flex com uma taxa de compressão geométrica de 10:1 pode passar a ter nova taxa de compressão efetiva de até 13:1. Como resultado, pode usar maior porcentual de etanol tirando maior proveito das suas qualidades, obtendo maior eficiência e, consequentemente, emitir menos CO2, além de economizar com a importação da gasolina.

Segundo a empresa, outra solução desejável para melhorar o desempenho dos motores flex seria a utilização de combustíveis de melhor qualidade, com maior octanagem, o que depende de decisões governamentais e da ANP (Agência Nacional do Petróleo), órgão regulador do combustível básico utilizado no Brasil. Um estágio ainda mais avançado, mas que expandiria ainda mais a eficiência dos motores a combustão interna exige a taxa de compressão variável, mas o dispositivo de desenvolvimento é complexo e com custos significativamente altos atualmente.

Para a empresa, independente de todas as vantagens tecnológicas que seriam conseguidas com o motor global flex, essa seria uma tecnologia extremamente positiva para o País: com motores mais eficientes e mais próximos dos produzidos em outros continentes, seria aberta uma possibilidade ainda mais competitiva de exportação de veículos. Além das divisas que seriam resultantes dessa prática (para governo e exportadores) traria a vantagem extra de usar parte da capacidade ociosa atual da indústria automobilística no País, hoje próxima de 50%.