O momento em que isso acontece é, no mínimo, curioso. Importamos etanol e o preço nos postos para os veículos flex sobe a cada dia, com ou sem entressafra. A confiança do brasileiro no carro a álcool está novamente abalada. Hoje, somente três ou quatro carros, em cada dez da frota flex, abastecem com etanol. Gasolina é importada para suprir a sua falta. Ao mesmo tempo em que a sede para a exportação do etanol combustível aumenta, os usineiros daqui pleiteiam, como de costume, recursos do governo para investir e grupos estrangeiros já pensam em elevar para mais de 50% sua participação nos investimentos no setor. O governo já se antecipa com sua vocação protetora e baixa medida provisória para financiar o estoque de etanol em falta.
Tudo isso aconteceu fechando 2011, um ano em que a discussão e a consciência da necessidade do uso dos combustíveis veiculares com maior eficiência energética tomaram força. Sem o etanol no tanque os veículos flex perdem as propagadas vantagens e afloram seus inconvenientes. Se a tecnologia flex foi um importante marco da capacidade da engenharia nacional, hoje, após sua disseminação, o desenvolvimento dos motores dos carros brasileiros ficou estacionado em relação ao que acontece mundialmente.
A matriz energética veicular brasileira está capenga. Uma ação reguladora para a atual situação de demanda de combustíveis e de alavancagem da tecnologia dos motores é a liberação imediata do uso do diesel nos automóveis.
Um novo automóvel diesel rodando 2.000 km/mês na cidade liberará anualmente 3.500 litros de etanol para ser exportado ou para suprir a frota flex. Se ele estiver no lugar de um flex que vem sendo abastecido com gasolina, 2.500 litros deixarão de ser consumidos. Isso com somente 1.700 litros de diesel gastos devido à maior eficiência energética dos motores. Importante vantagem ambiental: com diesel serão 30% menores as emissões de CO², o principal gás do efeito estufa. E o diesel com baixo teor de enxofre já está nos postos esperando consumidores. Estimando-se uma produção, em 2013, de 100 mil carros diesel no Brasil, que representa menos de 3% do mercado previsto, os valores ficam:

Não persiste qualquer barreira à liberação do uso do diesel em automóveis no Brasil, seja ela técnica, econômica ou de suprimento do combustível. O próximo ano é adequado para a produção em escala dos carros diesel, com o inicio imediato das atividades de preparação da produção e do mercado. Com a exportação crescente de etanol e do açúcar como commodity, temos no diesel utilizado nos veículos leves, automóveis, um importante regulador da matriz energética veicular, possibilitando adicionalmente a evolução dos motores com a tecnologia flex.